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Conto publicado no Livro "Tempo de Tudo" - Autores Brasileiros" - Novembro de 2011

Raquel Corrêa Martins
São Paulo / SP

 

Umbu

 


Este conto surgiu de uma maneira diferente, como muitos que tenho escrito. Em uma caminhada, domingo pela manhã. O conto nasce de uma palavra, de uma imagem de vontade de fazer. Embalada por uma antiga lembrança de minha infância. Das tardes calorosas de setembro, primavera ventosa onde sentada à sombra do umbu escutava velhas histórias, aprendendo e pensando em outras. Ali também brincava com meus irmãos.
Caminhava um pouco mais, recordava, revivendo figuras familiares que molduravam minha infância. Mamãe e vovó tomavam uns mates doces e contavam as histórias da Barra (cidade fronteira com o Uruguai), sentadas nas enormes raízes da planta.
Hoje ajudo minha filha a subir na árvore. Fiquei melancólica, minha avó (...) já não está mais ao meu lado.
Na cidade ficou mamãe, eu e mais três irmãos, Eduardo, Lucia e Elena. Marta e Felipe vivem cada um em outro lugar. Coincidência ou não, vivo na mesma rua do umbu. Fico olhando para ele, desde minha casa. Fica a uma cinco quadras bem largas, ladeadas por terrenos baldios.
Por falta de tempo ou sei lá por que não costumava voltar aqui. Acho que não queria sentir saudade de um tempo que não voltará jamais. Assim que, sempre olhava de longe.
Quando somos pequenos as coisas parecem tão grandes. Já não vejo mais assim. A árvore parece bem mais baixa (isto se explica por uma série de fatores que não vêm ao caso). Os galhos pareciam tão copados. Que sombra fazia. Era fresco aqui ou será que era eu que via e sentia tudo tão fresco e belo.
Fazia tanto tempo que eu não me sentia assim tão livre, tão eu.
Enquanto minha pequena brinca, mamãe conta como fazia para sair com seis filhos, à vovó e ainda trazia mate e bolo (com recheio).
Ângela está cansada, já quer voltar a casa. As crianças de agora já não brincam mais como antes. A televisão cria a imaginação através dos desenhos para elas.
Assim seguimos por alguns minutos e a tarde chegou ao fim. Que lástima, mas vou continuar mostrando lá de casa o umbu.
Da próxima vez faço um mate e trago um bolo, com recheio.
Colorin colorado esse conto terminou.

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