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Antologia
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Glória
Brandão
Conheci Marcos em uma festinha de aniversário de uma amiga. Quando eu cheguei ele já estava. Ele e alguns amigos, cada qual com um copo na mão se balançavam ao som de Jota Quest. Fui chegando e me dirigi para cumprimentar Mirtes e entregar o presente dela. Entreguei o presente, abracei minha amiga e desejei toda felicidade do mundo pra ela.
Eu, antes de sair de casa pensei muito com que roupa iria à
festa. Uma calça azul com uma blusa de alça, uma saia
longa amarela com uma blusa lilás ou o meu vestido cor de vinho,
com decote V entre os seios e em tamanho miniatura? Com que roupa
irei a festa? Decidi pelo vestido vinho ligeiramente sensual. Ligeiramente
sensual? Não, seguramente e totalmente sensual. Prendi os meus
cabelos em um coque no alto, fiz uma maquiagem mais forte, usei desodorante,
usei creme hidratante nas mãos, nos braços, nas coxas
e entre as coxas usei meu acorde nos punhos, atrás das orelhas,
levemente no pescoço e entre meus seios. Ah, ia esquecendo
de usar a calcinha que estava em cima da cama entre outras. Usei uma
linda mine branquinha. O branco tão puro era um paradoxo a
sensualidade que o vestido exibia. Usei um sapatinho cor vinho também
e de salto fino e alto, o que colaborava e muito, para que eu andasse
com elegância e... Algo mais. As horas subiam e a temperatura também. Comecei a dançar e me empolguei. A cada hora a música me animava mais e mais e nem percebi quando um círculo foi feito e eu estava no meio dançando e sendo aplaudida por todos, mas pude sentir um par de olhos tirando minha calcinha branca, abrindo o zíper do meu vestido, deixando meus seios quase à mostra. Era Marcos que me olhava e se deliciava com minha dança e com o meu vestido de seda colado e agarrado nos meus largos quadris que se mexiam freneticamente .Eu estava gostando dos aplausos, não posso negar. Sempre gostei de dançar e nessa noite, nesse salão e com tanta gente jovem e bonita, eu queria mesmo era ser feliz. O garçom me oferecia cerveja e eu apenas bebericava, ainda não aprendi a gostar de cerveja, acho amarga, mas eu bebia devagar. Lá para meia noite, mudaram a luz, ficou ao som de boate e eu me animava mais. Já tinha sido apresentada a muita gente, inclusive ao Marcos. Resolvi sentar um pouco para descansar. Marcos sentou ao meu lado, pediu licença e disse aos meus ouvidos que estava completamente fascinado por mim, pela minha dança, disse que meu vestido era muito lindo. A festa transcorria. Ele me ofereceu um copo com uma bebida quente, eu recusei, ele insistiu e aceitei. Eu sentada no sofá, quase sem ser vista com nitidez, estava meio que largadona e me requebrava no sofá pelo embalo da música. Nem sei quando, minhas pernas estavam abertas, minhas coxas nuas e a minha calcinha branquinha apareciam mexendo com a virilidade do Marcos. Eu percebia nos olhos dele, na inquietude dele, na atenção que ele me envolvia e mexia comigo. Confesso que eu estava gostando. Em certo momento, Mirtes apareceu e comentou comigo: "Lícia, o clima entre vocês está pegando fogo". E eu perguntei: "você acha?" Ela riu deliciosamente e me arrastou para o banheiro com ela. Num ímpeto, eu tirei o vestido, a calcinha e tomei um banho. Revesti tudo de novo, refiz a maquiagem, usei nos mesmos lugares o meu perfume que estava na minha bolsa, e soltei os meus cabelos, voltamos para festa que estava a mil. Mirtes foi ficar com Rafa, o namorado dela, e eu nem precisei ir ao encontro de Marcos, ele veio ao meu encontro. Ele disse aos meus ouvidos que eu estava mais linda e mais gostosa. Dançando, dançando, fui sentindo seus beijos na minha nuca, no meu rosto e sua língua deliciosa na minha boca, ao tempo em que suas mãos passeavam nas minhas curvas, alucinando-me. A festa estava mesmo maravilhosa! De repente as luzes se apagaram, mas a música continuava. Eu nem quis entender o que estava acontecendo. Lembro remotamente, que a Mirtes falou ao microfone que ninguém ficasse com medo, foi uma falha nos fios elétricos, só nas lâmpadas, que ninguém saísse e que ficassem dançando, pois o Rafa saiu para buscar um eletricista. Eu e o Marcos ficamos mais alucinados e uma vontade de quase tudo nos invadia. Senti suas mãos abrindo o zíper do meu vestido, que escorregou para minha cintura. Senti seus lábios quentes sugando meus seios excitados. Antes que a luz voltasse, ele fechou delicadamente o meu vestido e desse momento em diante passou a ser o meu namorado. A luz não voltou. Marcos me levou em casa e eu não o convidei para entrar. Trocamos nossos telefones, trocamos beijos de todo jeito, apertos, carícias e eu resisti. Nem sei como, mas naquela primeira noite eu consegui me conter. No primeiro dia de encontro NÂO e NÂO! Marcos me entendeu. Depois de dois dias saímos e no final da semana seguinte ele foi para minha casa. Fiz questão de estar bem e caprichei dobrado na minha aparência. Dessa vez, usei um vestido vermelho soltinho e curto, com uma langeri preta e com rendinha bem fina. Ele estava usando uma calça jeans apertada, camisa amarela por dentro da calça, perfumado, barbeado e mexia comigo. Duas taças de vinho, azeitona, queijo e a música francesa de Charles Azanavour ao fundo. Abraços apertados, beijos molhados, ousados, mãos nas mãos, ente minhas pernas e resolvemos dançar. Ah, que delícia! Só nós dois! Eu podia tudo e segundo ele, eu era o tudo. Dançando, abri os botões da sua camisa amarela, delicadamente abri o cinto... Ah, que posso dizer? A noite estava quente, mas eu me sentia confortavelmente orvalhada no meu jardim secreto. Marcos tirou o meu vestido vermelho que passou a repousar no sofá. A dança continuava e o fogo aumentava. Logo, eu já estava dançando NUA! Deliciosamente NUA! Adiar a festa maior, seria magoar os nossos desejos e foi dançando, dançando que Marcos foi iniciando uma maravilhosa penetração, algo indescritível. E dançando, dançando chegamos ao quarto e na cama dançamos a nossa música com direito a gemidos, aís e tudo mais. Hoje, estamos com dois anos de casados e de vez em quando repetimos a nossa dança na sala. Eu começo vestida e vou ficando NUA. É um dos nossos momentos eróticos mais fortes. É bom saber, que continuo esmerada no vestir, no perfumar e nas preliminares tão essenciais. Eu e Marcos somos deliciosamente felizes. De vez em quando ele pede que eu abra levemente as minhas pernas para que ele relembre o dia que me conheceu na festa de Mirtes. Eu abro com muito prazer porque a libido fica a mil e esse assunto é só nosso, o nosso segredo! Sempre que isso acontece, ele põe uma música e aos poucos vai me desnudando, até eu ficar nua e iniciar a nossa dança maior. Com movimentos rítmicos, vamos dançando até chegarmos à cama onde eu adoro cavalgar sem pressa e sem pudor com o homem que escolhi para ser meu esposo. Hoje, vendo as qualidades e propriedades psicossomáticas do Marcos, inclusive, seu vigor, sua índole e sua alegria, sinto-me muito feliz. Altos e baixos todos nós enfrentamos, mas nosso amor é grandioso. E regado a nossa fantasia fica melhor ainda, pois temos Sensualidade à Flor da Pele. Esses momentos serão linda estória na nossa velhice. |
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Sensualidade
em Prosa & Verso - Edição 2009 |