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Luciano Riélo Ferreira
Rio de Janeiro / RJ


O caminho inverso:
Como me apaixonei por uma "Escort Girl"

 

Sou um homem muito ocupado. Meu nome é Alexander Smith e tenho a maioria de meus livros na lista de "best-sellers" do jornal americano "The New York Times". Na minha adolescência era chamado de "nerd" por estudar demais. Não era muito popular com as meninas, pois era gordo e tímido, aliás foi essa timidez que definiu meu futuro profissional e o que sou hoje. Geralmente escrevo à noite, pois sou notívago, isso quando meus agentes literários espalhados nos mais diversos cantos do mundo deixam, ou seja: quase nunca!

Foi para fugir desta rotina desgastante de compromissos e também para escrever meu novo livro que decidi deixar a atribulada Nova York, onde nasci, para me refugiar no país considerado o Paraíso na Terra: o Brasil.

Por ser avesso a badalações nunca deixo meus editores publicarem minha foto nos livros que escrevo, já que prefiro ser apreciado por meu trabalho, não por minha aparência. E foi graças a esse cuidado que cheguei incógnito ao Rio de Janeiro para passar um verão que mudaria minha vida para sempre!

Saí do aeroporto e peguei um táxi que me conduziu ao luxuoso hotel Copacabana Palace. Já hospedado e sem inspiração para escrever comecei a divagar e a pensar no que era minha vida. Eu Já tinha bem mais de trinta e beirava os quarenta anos de idade, tinha um rosto bonito, um bom porte (por ser alto), mas continuava sofrendo com a balança e por isso me sentia bastante triste, pois achava que devido a minha aparência as mulheres me queriam apenas para pagar suas contas, enquanto o amor delas era direcionado para o amante atlético e "boa pinta".

Por causa dessa "neura" ainda era solteiro e costumava dispensar belas mulheres que davam em cima de mim quando percebia que o interesse delas não era em minha pessoa, mas na minha conta bancária! Fiquei até com fama de "gay", no meu círculo de amizades, por causa dessa atitude, mas nunca me preocupei com isso, pois sabia que não o era. Não me relacionava com uma mulher sexualmente há bastante tempo, não por desinteresse, mas por desgosto com minha aparência e pelo que tinha me transformado: um homem rico, famoso, inteligente, mas extremamente triste e solitário.

Então meus devaneios cessaram com o pensamento que mudaria definitivamente minha vida:

" Já que elas só me querem pelo que tenho, então vou escolher a mulher que eu sempre quis ter, mesmo que tenha que pagar para isso..."

E foi pensando "na mulher de meus sonhos" que passei minha primeira noite no Copacabana Palace.

O dia transcorreu normalmente e, à tarde, após ter lido diversos jornais decidi ligar meu netbook para dar vazão à minha volúpia. Entrei no site de uma agência de acompanhantes de luxo que vira no jornal e me pus a buscar minha mulher ideal. No site havia diversos tipos de mulheres selecionadas por sua cor de pele ou de seus cabelos: morenas, loiras, ruivas, orientais, enfim havia mulheres para todos os gostos. Procurei, então, aquela que mais me agradaria fisicamente: loira, manequim 38, cabelos lisos, 1,72m de altura, rosto angelical, olhar meigo e sedutor, lábios convidativos, corpo atraente, extremamente educada, carinhosa; e a mulher que mais se encaixou neste perfil foi... Maria Eduarda! Decidi ligar para agência e pagar literalmente para ver (e para ter!).

Marquei o encontro para o dia seguinte. Após isso tentei trabalhar em meu livro. O problema era que não conseguia escrever uma linha: faltava-me a inspiração que sobrava em minha libido. Decidi deixar o netbook de lado e assistir à tv, o que fiz até pegar no sono.

Acordei tarde, mas esperançoso. Por volta do meio-dia, liguei para confirmar o encontro. Para minha surpresa Maria Eduarda estava doente, mas a agenciadora me ofereceu uma garota com o mesmo perfil dela me assegurando que eu não me arrependeria.

A garota era Ana Júlia e era tão bela quanto Maria Eduarda e eu só não a escolhera antes pelo fato dela não mostrar o rosto. (Que era meu fetiche!) Despedi-me da agenciadora e aguardei ansioso o encontro. Alguns homens gostam principalmente de pés, outros de bumbuns, uns outros de mãos, outros ainda de seios: eu gostava de rostos! E foi imaginando como seria o rosto de Ana Júlia que me preparei para recebê-la.

Após vinte minutos que me pareceram uma eternidade passei a entender o que Einstein queria dizer com sua Teoria Geral da Relatividade: se você faz o que gosta o tempo voa, mas se você quer que ele passe rápido cada segundo é como uma eternidade! E para mim era o que acontecia naquele momento até ouvir o soar da campainha: dlim! Dlom! Dlim! Dlom!

Com meu coração batendo acelerado e com as mãos suadas de tanta ansiedade abri a porta: Ana Júlia abriu um sorriso e quase me fez desmaiar de tanto tesão: seu rosto era maravilhoso! Seus olhos eram lindos e meigos, sua boca sedutora e convidativa, seus dentes alvos como diamantes, seu corpo parecia flutuar no vestido que ela vestia, seus cabelos cor de mel me fizeram ter uma noção do que era o Céu. Fiquei abobalhado por alguns minutos olhando para aquele monumento de mulher sem saber o que fazer. Ana Júlia, percebendo meu transe hipnótico por ela, perguntou-me se podia entrar e fiz com as mãos o que minha boca estupefata pela beleza de Ana Júlia se recusava a fazer: convidei-a a entrar!

Ela entrou vestida, mas eu já a despira com os olhos! Pedi que ela retirasse a roupa como uma "stripper" o que ela fez com perfeição. Comecei a envolvê-la em meus braços e ela fez o mesmo comigo. Eu era pesado, mas perto dela me sentia o homem mais leve do mundo. Comecei a beijá-la na boca com sofreguidão e voracidade no que fui plenamente correspondido. Levei-a para cama e passei a beijá-la ardentemente em cada recôndito de seu corpo. Meus lábios deslizavam em seu pescoço que se contorcia de prazer. Minhas mãos deslizavam alucinadamente por suas pernas, nádegas e seios. Disse-lhe ao pé do ouvido que ela era a mulher com quem tanto sonhara e ela sorriu! Cheio de paixão cantei sussurrando em seu ouvido as músicas de amor mais melosas que conhecia. Ela fechou os olhos e beijou-me com carinho e desejo. Para mim ela não era uma "Escort Girl" ela era minha musa! minha deusa! Ela era simplesmente: Ana Júlia! Meu corpo então uniu-se ao dela e tornou-se uno, e ao som da música Halo, da cantora Beyoncé, ficou registrado o momento exato em que nossos fluidos corporais se encontraram numa imensa cascata de amor.

E foi exatamente assim que me apaixonei por uma "Escort Girl" fazendo o caminho inverso do tradicional: ao invés de conhecer a mulher, namorá-la, noivar, casar e só aí fazer amor com ela; subverti todas essas regras sociais em prol de minha felicidade!

E assim terminei o último capítulo de meu livro e comecei um novo capítulo em minha vida cuja história seria registrada não em páginas, mas em meu coração.


 
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Sensualidade em Prosa & Verso - Edição 2009