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Wilson
Gorj
Aparecida
/ SP
Língua
afiada
Conhecera-o
naquela noite. Na verdade era a primeira vez que o avistara ali na
boate. Olharam-se, rolou um clima. Ele aproximou-se. Chamou-a para
dançar. Depois beberam juntos, conversaram. E, entrosados,
tornaram à pista de dança, agarrando-se, falando-se
ao pé do ouvido.
- Que tal se fossemos à minha casa?
O convite partiu dela. Não que fosse leviana, mas o álcool
a tornava temerária.
E pervertida. No táxi, parecia esquecer a presença do
motorista, de tanto tesão que estava. Por pouco não
transaram ali mesmo, no banco traseiro. Ainda bem que chegaram logo.
Na sala, afoitos, atracaram-se. E aos beijos e amassos, ela o conduziu
para o quarto, onde se jogaram na cama, enroscando-se, apalpando-se
às pressas.
Usando o cinto, ele prendou-lhe os pulsos e amarrou-a na cabeceira.
Ela, excitada, deixou-se amordaçar, não fosse acordar
a vizinhança. "Esta transa ficará marcada",
ele sussurrou-lhe ao ouvido. "Hmm!", ela fechou os olhos,
já antegozando as delícias da excitante promessa.
Mas, ao tornar a abri-los, o tesão espatifou-se ante o horror
da cena à sua frente. Ele havia se despido e exibia um corpo
repleto de cicatrizes.
De repente, surgiu em sua mão o terrível objeto.
Malicioso, o estilete pôs para fora a sua língua.
Sádica língua.
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