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Teresa
Cristina Cerqueira de Sousa
Piracuruca
/ PI
Hidratando
a pele
Sai
do banho. Nua. Em gotas d'água na pele. Banhara com sabonete
íntimo e está relaxada, perfumada; sente-se bem. Uma
sensação de frescor de cútis de menina a envolve.
O olhar busca a cama no centro do quarto. Caminha descalça
até lá. Delicadamente. Sem pressa. Nas mãos,
um óleo hidratante.
Ergue a perna direita, posiciona a ponta do pé na cama e com
o líquido perfumado na palma da mão esquerda inicia
o processo de carinho na pele. Olha o pé. Delicado. Suave,
como a ternura de um amante, a sola recebe um carinho especial. Massageia.
Como se quisesse tirar as dores da alma e do corpo após um
dia de trabalho. Os dedos quase se veem beijados pelas mãos
dela. Um a um os pés sentem-se amados. Visualiza a panturrilha.
A pele branca, sedosa, macia, sendo tocada; adquirindo a agradável
sensação de bem-estar. Sabe-se bonita. Olha-se ao espelho
na parede central a sua frente. O corpo é sensível ao
toque. Uma leveza n'alma a envolve. Desliza a mão sobre a perna
até a altura dos joelhos. Circunda-o. Vê o reflexo de
uma mulher jovem: sensual, delicada, meiga, o corpo nu. Desejando
ser acariciada.
A perna estava já quente, entregue ao toque. Os pelos eriçam
ao perfume, aos agrados das mãos. Usa as duas. O óleo
na cama. Aguardando o uso. As mãos sobem. Encontram a região
da virilha. Arrepia-se. Faz círculos, semicírculos.
Quer o toque de um homem. Ele. O amado. Olha-se. Uma fêmea em
vida; pedindo uma carícia de amor.
Põe o dedo no umbigo. É quase um estupro. Não
costuma colocar o dedo no orifício. Algo anormal a invade.
Talvez seja o espelho. É um ser se descobrindo, se conhecendo.
Faz um deslizamento no sentido horário em volta dele. No restante
da região, os movimentos circulares são de 360°.
Contrai-se. Uma selvagem mulher mora nela. Uma insaciável fêmea
por afabilidades.
Altera a perna. Está excitada. Todo o caminho é feito
com a mesma ternura. Olhando-se. Deixando o aroma entrar nos poros.
Correr pela carne. Criar uma espécie de prazer no corpo, como
se fora ele a passar o óleo em sua pele, deixando fogo no percurso,
incendiando-a; fazendo-a única no mundo na hora do amor.
Os seios se movimentando; brigando por seus direitos. Rodeia as mamas.
Eriçam-se os bicos. O formato dos mamões admirados ao
espelho. Vira-se de frente. Há no olhar dela uma provocação.
Caminha pelo quarto. Está em tesão na pele. Hidratada
é uma gata selvagem. Quer miar para a lua que se aproxima de
sua janela. Falar dos sentidos. Do prazer de ser uma mulher. De sentir-se
bela. Quer um beijo do vento. Um luar na carne. Como um banho de luz.
Suspira.
Pensa nele. Virá logo mais. Hoje é sábado. Dia
dos amantes que trabalham a semana. Enrola-se na toalha e deixa o
óleo em cima da cama. Ele é profissional em hidratar
o restante do corpo. Mas as mãos dele são o melhor toque.
Espera com um sorriso faceiro nos lábios.
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