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Conceição Rodrigues
Palmas / TO

Fidelidade



Árvore seca
Continuas bela,
Imagino-te, florida...
E sinfonias de pássaros te habitar.
Estás seca...
E tens a silhueta do que foste.
Imagino-te, verde...
E te desnudo com meu olhar.
Em teu galho frágil
Um pássaro cabisbaixo,
Canta a saudade da fartura.
O vento te embala,
Teu galho despenca.
Balança outro galho
Em câmera bem lenta
Estala o silêncio...
Uma arara espantada,
Sai escandalosa a gritar!
Arara! Arara! Ai!...
Volta em rasantes
Sem querer acreditar
Seus filhos no chão a agonizar.
A arara se vai,
Solitária a gritar...
E a árvore seca vai se transformando
Só fica seu cerne, o triste pensar...
E o risco da sombra:
- Serei um mourão?
- Serei a porteira?
Já fui semente, nasci e cresci,
Dei flores e frutos
Fui abrigo, fui sombra.
Saciei tua fome,
Alimentei teu pulmão;
Respirei por ti.
Depois da minha morte
Ainda te ajudo
Aqueço-te em lareira, cozinho teu pão,
Sustento tua casa, Sou mesa, sou cama.
E no teu último suspiro...
Sou o teu caixão.

 
     
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Publicado na Antologia "Sensualidade em prosa e verso" - Edição 2008 - Outubro de 2008