Estática, ao canto do quarto, a cama morna
Sob os lençóis frios e amarrotados.
E ainda, atrás da porta do guarda-roupa,
Repousam as cobertas e fronhas frouxas,
Travesseiros arrumados.
O
colchão resistindo à gravidade do ato;
Meus ouvidos ávidos por teus devaneios.
Teu corpo, tua pele nua;
Teus lábios, a boca (tua) engolindo meus beijos.
Minhas
mãos escorregadias, meu olho vitrificado.
Meu vocabulário, antes farto, cede à mudez;
Seus membros como cobra, teus seios à mostra;
Teu sexo banhado em champanhe
Ao custo do salário de um mês.
Estranho
como a gente se estranha,
Como a gente se agarra,
Como a gente se arranha
Em plena algazarra, em plena fúria.
À despeito dos vizinhos:
Dados ao vinho, rangendo as estruturas;
Quebrando o assoalho,
Rindo um bocado de nossos momentos de luxúria.
Minha
linda flor, um bicho no cio:
Beleza e desfrute em uma só moça.
Minhas forças (todas) por um fio:
Me extasio no ninho de nossa loucura.