Regulamentos Como publicar Lançamentos Quem somos Edições anteriores Como adquirir Entrevistas
 
Antologia on line
 
 


Andressa Le Savoldi
Rio de Janeiro / RJ

A última noite no palácio do Rei



Ela não sabia o que fazer naquela noite. Já não esperava mais nada, acabara-lhe a esperança. Às vezes, queria voltar a ser criança. Porque ainda poderia sonhar... E, quem sabe, este lindo sonho que tanto almejava ser real, seria. Mas estava ali, sem saber o que seria depois do outro dia em que ele não estaria mais ali. Pelo espelho ela o observava. Cada curva, cada traço tão esplendido. Um homem perfeito!

E a verdade é que ela não conseguia esconder o amor que estava em seus olhos. Ela o amava profusamente. Amava aquele príncipe de contos de fada. A pela branca... Os cabelos cacheados, charmosos, os olhos de pássaros, verdes da mata e mel, pareciam imensidão do mar mesclado com a vastidão do céu... Como era lindo!

Estava ali, paralisada como que num encantamento mágico. Era a 'última vez'... Isso não saía de seus pensamentos... E tudo o que ela tinha era vontade de deixar que as lágrimas, que tanto insistiam em cair, caíssem. Tentou segurar todos os instantes para que ele não percebesse que, na verdade, ela chorava por dentro. Perdidamente chorava, como se não houvesse mais razão para nada.
Certamente era maravilhoso estar ali, naquele palácio, ao lado do homem que amava. Mas por saber que não seria eterno tudo o que almejava, seu coração passou a morrer desse mesmo amor... Que deveria apenas ter meio, ao invés de inicio e fim.

Já era hora de partir. O momento que nunca quisera, nem pedira para chegar, o da despedida... Chegara. Agora, seu coração era somente caco. Talvez ele não pudesse ver nem sentir, mas no fundo dos olhos dela, cor da noite, estava escrito que tinha um amor infinito e que tudo o que menos queria era o "Adeus" que compreendera ser ali, naquele instante de luz fosca, o momento de vê-lo tornar-se tão indesejada realidade.

E ele, pela última vez, deslizou suas mãos sobre aquele frágil (e amante) corpo nu, que se arrepiava ao senti-lo partir.

 
     
Volta Página Principal
Publicado na Antologia "Sensualidade em prosa e verso" - Edição 2008 - Outubro de 2008