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Antologia
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A última noite no palácio do Rei
E a verdade é que ela não conseguia esconder o amor que estava em seus olhos. Ela o amava profusamente. Amava aquele príncipe de contos de fada. A pela branca... Os cabelos cacheados, charmosos, os olhos de pássaros, verdes da mata e mel, pareciam imensidão do mar mesclado com a vastidão do céu... Como era lindo!
Estava ali, paralisada como que num encantamento mágico.
Era a 'última vez'... Isso não saía de seus
pensamentos... E tudo o que ela tinha era vontade de deixar que
as lágrimas, que tanto insistiam em cair, caíssem.
Tentou segurar todos os instantes para que ele não percebesse
que, na verdade, ela chorava por dentro. Perdidamente chorava, como
se não houvesse mais razão para nada. Já era hora de partir. O momento que nunca quisera, nem pedira para chegar, o da despedida... Chegara. Agora, seu coração era somente caco. Talvez ele não pudesse ver nem sentir, mas no fundo dos olhos dela, cor da noite, estava escrito que tinha um amor infinito e que tudo o que menos queria era o "Adeus" que compreendera ser ali, naquele instante de luz fosca, o momento de vê-lo tornar-se tão indesejada realidade. E
ele, pela última vez, deslizou suas mãos sobre aquele
frágil (e amante) corpo nu, que se arrepiava ao senti-lo
partir. |
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Publicado
na Antologia "Sensualidade em prosa e verso" - Edição
2008 - Outubro de 2008 |