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Marcelo
Santos
Niterói
/ RJ
O
desaparecimento do sofá
O CONTEXTO:
Entrou na Faculdade a procura do seu melhor amigo, o Zé Geraldo,
precisava contar pra ele a respeito do sofá que vira em boas
condições, recentemente Zé havia comentado que
havia saido de casa para morar em um barraco com sua preta, mas que
ainda não tinham nenhuma mobília...
A
BUSCA:
Por todos que passava, ele perguntava:
- Antonio, você viu o Zé Geraldo por ai?
- Não. Respondia um dos colegas.
Teve a ideia então de atocalhar o Zé, no posto de gasolina
que ficava próximo a Faculdade, o nosso Pit Stop, antes de
encarar as aulas...
O
ENCONTRO:
- Zé, vem cá, cara. Gritou ele, quando avistou o Zé
passando como uma bala, aquele neguinho só vivia correndo...
- Falae cara, beleza?
- Beleza? Quer tomar uma gelada comigo?
- Quero, mais rapidinho que eu tenho que terminar um trabalho lá
na biblioteca...
- Escuta, na verdade eu lhe chamei aqui, porque eu vi um sofá
na lixeira lá do condomínio onde moro, em ótimas
condições, lembrei, que você havia comentado que
estava sem sofá e...
- Pô cara! Mas ele está legalzinho mesmo?
- Zé, eu estou falando pra você cara, o sofá está
novinho...
O
PLANO:
- Ah! Então eu quero, quando eu posso pegar? No sábado?
- Pode ser? Hoje a noite, assim que chegar, já vou logo arrastando
ele pra dentro da minha casa, vai que alguém também
já está de olho.
- É mesmo. Mas e a tua mulher, não vai reclamar?
- Zé deixa comigo.
- Valeu, então vamos nessa.
- Bora.
O
FURTO:
Cheguei em casa e conforme havia combinado com o Zé, larguei
a bolsa em cima da mesa e já fui logo tratando de arrastar
o sofá para dentro de casa.
O
FLAGRANTE:
- O que significa isso, posso saber? Perguntou a minha mulher acordando
assustada com a barulheira que eu estava fazendo...
- Ë um sofá, não está vendo.
- Ora, desde que nasci eu conheço sofás, não
foi isso que eu quis perguntar, eu quero saber, o que esse sofá
está fazendo em pé, bem no centro da minha sala e a
uma hora dessas?
- Não esquenta amor, é só até sábado,
esse sofá estava na lixeira e eu resolvi pegá-lo para
o Zé, aquele amigo pobrezinho lá da faculdade, aquele
que eu lhe falei...
O
AMOR DO DESCASO:
- Deixei um sanduíche pronto pra você, está forno,
agora deixa eu dormir que eu estou morrendo de cansada, beijos.
- Boa noite Mô.
O
DIA SEGUINTE:
- Bom dia Zé. Não o Zé da faculdade, mas o Zé
porteiro do meu prédio.
- Bom dia Senhor. Respondia, enquanto seguia em direção
ao portão de saída.
O
BÁ FÁ FÁ:
- Senhor, posso falar com o Senhor um minutinho?
- Claro Zé, o que houve?
- É que essa madrugada, no meu turno, roubaram um sofá,
lá no andar do Senhor, e eu estou aqui de tocaia, mas até
agora nao vi nenhum sofá passar por aqui e nem pela garagem,
mas se eu pegar! Na verdade senhor, acho que esse ladrão ainda
está com o produto do roubo dentro de casa, já sugeri
para síndica, ver se consegue uma autorização
pra gente entrar de apartamento em apartamento com uma desculpa de
vazamento e...
- Ai Meu Deus... Pensei enquanto suava frio.
- O que foi que o Senhor disse?
- Não Zé, não disse, nada, não, apenas
balbuciei.
- Mas o Senhor viu alguma coisa, algum barulho ou movimento estranho
no seu andar?
- Não Zé, eu não vi e nem ouvi nada. Disse, já
fechando o portão da recepção em direção
ao trabalho.
O
MEDO:
- Ferrou e agora, o que eu faço? Deitei herói e acordei
bandido, e o pior, bandido porco, um reles ladrão de sofá.
O
ARREPENDIMENTO:
- Zé, preciso falar com você, depois da aula.
- Tudo bem, mas você está bem, você está
meio pálido.
- Está Zé, está tudo bem, depois das aulas nos
falamos.
O
MAL ENTENDIDO:
- Escuta, já arrumei uma kombi para ir apanhar o sofá,
no sábado... Disse o neguinho cheio de disposição.
- Esquece Zé, fiz uma confusão e agora não sei
como sair dela.
- Fala cara, o que houve?
- Sabe o sofá?
- Sei, o meu.
- Teu é o cassete, o sofá estava encostado na lixeira,
mas tinha dono, como eu não imaginei que uma coisa óbvia
dessa fosse possível de acontecer, agora virei um ladrão
de sofá, perseguido pelos porteiros do meu prédio.
- Calma cara, tudo bem..., hoje a noite eu vou até a casa do
Sr. Rocha e desfaço o compromisso do frete, eu entendo, fica
tranqüilo, eu não fiquei chateado não..., dizia
o neguinho se esvaindo de tanto rir.
- Beleza, mas e agora.
- Ué! Coloca o sofá de volta no lugar, simples assim.
- É, vou fazer isso hoje a noite..
A CONSCIÊNCIA FALANDO MAIS ALTO:
- Na verdade, acho melhor ir conversar com o dono do sofá,
de repente eu explico para ele a situação desse meu
amigo pobrezinho, vai que ele desiste e acaba dando o sofá
para o Zé, é isso! Depois do jantar eu chamo a minha
mulher para ir comigo, assim acho que fica melhor...
EM
BUSCA DE UMA CUMPLICIDADE - PARTE I:
- Poxa, vamos lá comigo, o que tem isso demais?
- Você está maluco, você rouba um sofá dentro
do condomínio, fica conhecido como ladrão de sofá
e quer me colocar como sua cúmplice, nem pensar.
- Que isso mulher, você está exagerando, onde já
se viu, eu ladrão de sofá, tudo bem, eu vou sozinho.
Valeu.
A
CONFISSÃO:
- Boa noite.
- Boa noite, pois não.
- Eu sou vizinho de porta de vocês e queria dizer que, quem
apanhou o sofá de vocês foi eu, é que eu tenho
uma amigo pobrezinho na faculdade e...
- Amigo pobrezinho! Tudo bem, nós entendemos, mas já
havíamos vendido o sofá para um brechó, se o
senhor realmente estiver interessado no sofá, o senhor pode
negociar com o brechó, nós temos o telefone deles.
- É verdade, obrigado pela sugestão, agora com licença
que eu vou apanhar o sofá.
- Pois não, fique a vontade.
EM
BUSCA DE UMA CUMPLICIDADE - PARTE II:
- Poxa, me ajuda aqui Mô, esse sofá está muito
pesado, eu não estou conseguindo arrastá-lo sozinho.
- Eu não, chama o porteiro, pra arrastar ele aqui para dentro
de casa, você fez tudo sozinho, lembra?
- Tudo bem, quando você morrer, não esqueça, caso
você, independente de onde quer que você esteja, no céu
ou no inferno, tomara que você não encontre um sofá
para sentar.
- Não tem problema eu sento na cadeira.
A
CHANTAGEM:
- Mas você não me ama, e o padre me falou que você
deve me acompanhar em toda as situações, afinal eu sou
casado em comunhão todal de bens
- O padre não comentou nada a respeito de que eu teria que
dar cobertura para um ladrão de sofá, muito menos que
eu precisaria me transformar em sua cúmplice, e se os dois
forem pra cadeia, quem vai cuidar dos nossos filhos? E vai logo tirando
esse trambolho da minha sala. Dizia a desnaturada se esvaindo em risos.
- Sua, coração de gelo, vai Deus tá lhe vendo...
- Eu sei, e certamente, ele também deve está lhe vendo...
O
DIA SEGUINTE:
- Bom dia Zé (o meu porteiro)
- Bom dia.
- Senhor, sabia que o Ladrão de sofá se arrependeu e
devolveu o sofá. Comento ele me pegando no contrapé
- Sabia Zé, minha mulher me contou.
- Pois é, ele deu sorte, onde já se viu, agora a Síndica
fica ligando para a recepção de madrugada, atrapalhando
meus cochilos, por causa desse ladraozinho de sofá, ninguém
merece! Não é Senhor?
- É Zé, ninguém merece, o Zé, alguém
já mandou você ir...
- Pra onde senhor?
- Nada Zé, deixa pra lá, tenha um bom dia.
- Um bom dia para o Senhor também.
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