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Um presente para Nancy -Mas
filho, porque você simplesmente não lhe dá uma
flor? Tirou o seu cofrinho de dentro da gaveta da cômoda, trazendo-o para cozinha. -Está
decidido - disse por fim, colocando o dinheiro no bolso da calça. Ela interrompeu o que falava, pois o menino, ignorando seus conselhos, já havia cruzado o jardim. Permaneceu alguns instantes estática olhando-o sair, e depois fechou a porta, julgando-o tolo e inexperiente. O garoto
entrou na primeira loja da rua, Beauty Home. A dona
da loja mostrou-lhe uma caixinha recheada com pulseiras, imitações
de cristal Zarovski de diversas cores e tamanhos.Ele olhou-a com desdém. Então
se dirigiu à segunda loja, Homesickness. Mas
a robusta vendedora meneou a cabeça. Saiu
desanimado e caminhou a passos largos em direção ao
Shopping. Entrou em uma imensa loja , Royal Jewels, a mais conhecida
da cidade, freqüentada somente por pessoas ricas. Algumas
delas eram feitas de cristal juntamente com ouro, outras com diamantes
e rubis, dentre outros modelos; todos eles possuíam um preço
altíssimo. O vendedor
trocou alguns olhares oblíquos com o gerente. Era óbvio
que aquele garoto não possuía dinheiro o suficiente
para comprar em uma joalheria de luxo. Dirigiu-se
à loja Sophia Rose, com pouquíssima esperança
de encontrar a delicada pulseira de Nancy. A pulseira foi embrulhada em um papel da mesma cor e fechado por um laço de fita. -Ela irá adorar, espero - murmurou para si mesmo.
...
Lá estava ela! Sentada sobre o banquinho do
jardim, junto ao canteiro de flores. Seus olhares se encontraram por
uns instantes. Dorian respirou fundo, pensando no que iria lhe falar,
mas não encontrava as palavras certas e nem a coragem. Dirigiu-se
a ela ruborizado: A mocinha sorriu, mostrando uma fileira de dentes
brancos e perfeitos. Seus azuis eram sonhadores e pareciam contemplar
o infinito. Ele entregou-lhe o pequeno embrulho, sem tirar os
olhos da face de Nancy para ver qual seria a sua reação.
Sentia-se inseguro, era como se um cipó o sufocasse por dentro.
Mas aliviou-se assim que viu o sorriso nascer em sua face alva e os
olhos fixarem no presente com ternura. Dorian ficou calado por alguns instantes. Seu plano
inicial era declarar-se à sua amada, mas percebendo a indiferença
da garota, disse acanhadamente: A moça despediu-se em voz branda, acenando
com a mão: Até! No caminho de volta para casa, pôs-se a refletir
sobre Nancy. Logo ela a quem ele imaginava possuir perfeição
e gentileza abundante, revelou-se altiva e inexorável! Talvez,
tenha achado a pulseirinha simples em demasia, afinal, certamente
ganhara presentes mais valiosos de seus amigos e parentes ricos. A moça, no entanto, neste mesmo momento dizia
a si mesma: Deixou a pulseira de lado e olhou novamente para o canteiro de flores circundado de seixos. No meio dele, reinava a rosa rubra que ela havia ganhado de John, o filho do jardineiro. E durante muitas horas permaneceu hipnotizada, observando o singelo presente do seu novo namorado. |
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de Contos de Autores Contemporâneos - Edição Especial
- Dezembro de 2008 |