| |
Nasceu
e reside no município de Vila Velha, no Estado do Espírito
Santo, em 16 de abril de 1969. É, por formação, professora
e Técnica em Contabilidade.
Começou
a escrever aos 15 anos, seguindo o exemplo da sua mãe, que usava
a escrita como uma maneira de expressar seus problemas pessoais. A outra
influência foi a leitura, pois por ser tímida, passou a maior
parte da sua adolescência lendo.
"Desenvolvo
o estilo Simbolismo, onde a vida interior é revelada por meio de
símbolos. Existe a postura romântica, centralizada no "eu",
explorando as camadas mais profundas do subconsciente e inconsciente...
interioridade... poesias endereçadas à emoção...
romantismo... idéias envoltas em sombra, em névoa... Na
verdade, não sei explicar como adquiri este estilo, possivelmente
deve ter sido porque sempre fui tímida e tinha vergonha de falar
sobre mim de maneira clara e então inconscientemente, usava objetos
materiais e abstratos para representar o que sinto. A Inspiração
não tem hora para chegar; quando estou triste os textos brotam
com maior facilidade, mas me encanta olhar uma foto, imagem ou desenho
fixamente, analisando o que vejo, o que está me transmitindo e
os sentimentos ocultos. Algumas poesias de minha autoria que foram escritas
assim: "ESQUECIDO PARA SEMPRE", "OLHAR VAZIO" e outras."
Visite
o site da autora:
http://br.geocities.com/rosimeire_lm/
Email
da autora:
rosimeire_lm@oi.com.br
LIVRO
PUBLICADO

"Voz
da Alma" - Editora CBJE - RJ
Novembro/ 2005 - Poesia
e Prosa
(clique no livro para
saber detalhes)
---
Rosimeire
tem diversos contos publicados na série "Antologia
de Contos de Autores Contemporâneos" da CBJE

(clique
no livro para ler)
---
Rosimeire
tem também crônicas publicadas na série "Novos
Talentos da Crônica Brasileira" da CBJE

|
|
Antologia
de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 25
Falência
Chaminé de
fumaça
espalhando prosperidade na atmosfera.
Vinha de um imenso galpão
onde conviviam centenas de pessoas.
Ao findar a tarde, cada um seguia seu caminho.
Parecia uma grande família.
Tinham seus direitos e deveres.
A recompensa pelo trabalho
era o salário pago mensalmente.
Dos esforços em comum
geraram produção em alta e qualidade nota dez.
Aparência próspera, lucros satisfatórios.
Porém, o egoísmo do administrador
pintou de negro as paredes da indústria.
Desfalque: zombou do suor dos seus operários.
Roubaram-lhes os sonhos do futuro.
Fecharam-lhes as portas.
Desempregados.
Silêncio, abandono, ruínas.
Cresceu o matagal.
Sem possibilidades de retorno.
Caiu o último tijolo.
Desmoronou o império capitalista:
O cabeça pôs tudo a perder!
---
Livro de Ouro da
Poesia Brasileira Contemporânea / Edição 2006
Esquecido
para sempre
Rosto oval,
emoldurado por cabelos castanhos escuros, curtos.
Sobrancelhas espessas, quase negras.
Olhar distante, contemplando o que não se podia ver.
Nariz delicado, arrebitado.
Sua boca pequena estava semi aberta,
como a pronunciar frases congeladas no tempo.
No lado esquerdo da face, uma cicatriz marcante:
conseqüência de uma guerra sem vitória.
O pescoço altivo, como a demonstrar orgulho.
Na cabeça, um capacete militar:
coroa eterna de um guerreiro.
Era o busto de um herói de guerra.
E o tempo o maltratava:
A poeira o cobriu por inteiro.
O vento forçou a janela do velho museu.
O pó bailava no ar, empoeirando ainda mais o salão.
O busto que foi moldado com material antigo.
Empurrado pelo vento, tombou no chão.
E o herói, que há tempos não era lembrado,
perdeu-se em mil fragmentos.
Ficou irreconhecível!
Veio o zelador, recolheu os pedaços com uma pá
e os jogou na lixeira.
Já não havia mais lembranças...
----
Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 26

Tirano
interior
Um ser invisível ao olhar humano,
usando chapéu e capa pretas até os joelhos,
com a mão esquerda segura a mão direita de uma mulher.
Ela está trajando vestido verde claro,
está grávida, no final da gestação.
As paredes ao redor de ambos são vermelhas.
Ele está com a mão direita erguida,
como quem diz: “Pare!”
Ele escuridão, obstáculos, opressor.
Ela esperança,
o sangue corre em suas veias, tenta viver.
Um candelabro de cristal dourado paira sobre eles,
sua função é derrotar a insegurança.
Ela não o vê, apenas sente o peso de seus atos sobre si.
Opressão, que dificulta seu crescimento pessoal.
Este vulto vigia seus passos,
a persegue por onde ela for.
São seus preconceitos, seus temores interiores,
normas arcaicas que a sociedade lhe impôs,
e a impede de seguir adiante.
Barreiras que lhe impossibilita ser ela mesma.
Do seu ventre nasceu a revolta,
fruto de uma prisão no recôndito do seu íntimo,
que explodiu e estraçalhou a redoma que a envolvia.
Assassinou o tirano interior.
Saiu correndo e abriu a porta da vida,
mas, ficou parada
segurando a maçaneta e olhando para fora,
com medo da liberdade do pensamento.
----
Antologia
de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 27

Loucura
de viver
Saiu correndo pela rua a gritar,
esburacou o crânio
para os pensamentos opressores abandonar a mente.
Mas, o ser humano é um abismo!
Louco!
Ameaças, algemas, bofetadas:
para aprender a ter medo e respeito!
Doido!
Bateu a cabeça na parede:
a dor obriga a fazer uso da razão.
Fora do normal!
Roubaram-lhe os sonhos!
Vomitou pensamentos de esperança.
Maluco!
Retirou metade do sangue das veias:
impedimento de viver a vida.
Alienado!
Mergulhou na caixa d‘água,
afogou os delírios da existência.
Tolo!
Bactérias são as causas de doenças mentais:
adoeceu o raciocínio, debilitou suas energias.
Idiota!
Congelou os ideais,
derreteu as grades das desilusões.
Insano!
Levaram-no ao estado de coma,
voltou a si com os objetivos ofuscados.
Desligado!
Choque elétrico estremeceu todo o seu ser,
amnésia... não se lembra quem é.
Morte!
Danificou o cérebro,
perdeu o sentido da vida.
Colocaram-lhe uma camisa de força,
contudo, não era louco,
apenas, tentava autocompreender-se.
----
Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 28

In memoriam
Passaram-se vinte
anos de existência
e seu nome amarelou-se no tempo.
Dia que se apagou.
Pássaro que não mais voou,
e dorme profundamente.
Silêncio que indica ausência.
Lembranças perdidas na memória,
Vagando na mente de quem o conheceu.
Pétalas caídas e levadas ao ar.
A brisa espalhou o perfume
com fragrância de saudades.
Foi-se, ou simplesmente evaporou-se.
O que era deixou de ser.
Partiu subitamente,
não foi possível despedir-se.
As nuvens se juntaram num abraço,
escureceu o imenso céu.
A lua quis consolar,
mas, de tão triste,
não ousou aproximar-se.
Contudo, os olhos do céu,
de tão apertado de tristeza,
chorou chuvas de dor.
Os contornos dele se desintegravam lentamente.
No entanto, o vento, num vendaval de emoções,
aprisionou para sempre,
sua imagem no coração.
----
Antologia "Os
donos da Vida" - Edição 2006

Tempestade
da vida
Era a árvore mais
bela da floresta.
Suas folhas formavam uma linda copa.
Seus frutos muito doces.
Os pássaros disputavam seus galhos.
Cada ser da natureza tem sua história,
esta, seu dossiê é demasiado triste.
No auge da juventude
devastaram a mata ao seu redor.
E então, primeiro rarearam seus frutos,
depois, o vento arrancou suas folhas amareladas.
Não mais recebeu sol e água.
Seu tronco se deformou...
O ar se tornou poluído...
A região se transformou num deserto...
Perdeu o vigor de existir.
Sua beleza se desgastou,
envelheceu precocemente.
A tempestade da vida pesou sobre ela.
Já não era mais ela,
e sim, uma caricatura do que foi um dia.
Um viajante que outrora passara por ali
e descansara a sua a sombra,
diante dela tirou o chapéu da cabeça,
com as lágrimas escorrendo pela face, perguntou:
— “O que aconteceu com você???”
---
|
|