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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol.41
 

Poemas selecionados e publicados no volume 41
Novembro de 2007
(Leia e comente no nosso Mural)

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Poemas selecionados
( Leia e comente no nosso Mural )

 

>> Continuação <<

Maria Helena S. Ferreira Camilo C. Lucas
Lagamar / MG

Apenas um olhar

Quando entrei, estava distraída
De repente encontrei seu olhar
Mudo, intenso a me observar
Desarmaste-me e me senti engolida
Enquanto atravessava o recinto
Você me olhava abusado
Confesso que perdi o rebolado
Fiquei sem jeito, não minto
Seu olhar transpassou o meu
Como um raio lento, penetrando
Conhecendo tudo, explorando
Ainda assim não desgrudei do seu
Não só olhava, desvendava
Olhava tudo, não só os olhos
Descia agora para o colo
E me envergonhava
Atravessava meu peito
Vasculhava meu coração
E eu nem pra dizer um não
Pois era só um olhar suspeito
Como pode, seria malícia sua?
Com um simples olhar
Deixar-me assim ficar
Completamente nua...


ENVIADO EM: 11/11/2007

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Luiz Antonio Ferreira
Apucarana / PR

O dia que não terminou

Aqui meus sonhos chegam ao fim,
aqui meus planos são destruídos.
Aqui o punhal do destino se encrava em mim
e meu sangue escorre pelo meu corpo caído.

Minha mente já não compreende mais a realidade,
meus olhos não enxergam a multidão,
sinto medo de ter que encarar a verdade,
entro em devaneio fugindo da solidão.

Fatos, notícias, imagens, lembranças, lágrimas,
dor, solidão, angústia, medo, vida.
Um lápis, um violão, idéias, páginas,
e por um instante vislumbro a saída.

Mas é tudo uma ilusão,
realidade oposta à verdade.
Meus sentidos me enganam
e afloram em minha pele a maldade.

A verdade e a mentira,
o bem e o mal,
o certo e o errado,
num golpe fatal.

Por um momento sinto paz,
não sinto as dores pelas quais sofri,
por um instante ouço o eco do silêncio,
adormeço e entendo que morri.

ENVIADO EM: 12/11/2007

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Paloma Rocha Reis
Vinhais / MA

Marca de nascença

Não há consolo para a consternação eterna de um poeta.
Não há água que lave a alma pecadora.
Não há tanto vinho para sustentar meu vicio.
Não há amor que conforte minha dor.

E hoje não há nada que me arrebate.
Nada que me mate em desgaste.
Nada que me faça chorar de dor.
Nada. É irremediável esse clamor.

Não há volta que cure a dor da partida.
Vida não paga vida.
Não há tempo para passa-tempo.
Não há retorno para tua partida.

Máscara alguma cobrirá minha angustia.
E o tempo não será capaz de dissipar minha aflição.
Ela não tem cura. É marca de nascença no coração.
É chama que acende nos olhos em clarão.
Brasa que queima no gelo.
Cinzas que vagam no vago deserto.
E se apaga nas lágrimas de solidão.


ENVIADO EM: 11/11/2007

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Mário Henrique Lopes Moura
Paulo Afonso / BA


Policrise (A crise planetária)


Desenvolvimento, mito global - industrial
Progresso - marcha desenfreada
Em nome da razão e tecnociência
O ser humano - máquina automatizada
Individualizada, egocentrada em si.

Desumaniza-se o humano,
Pois a solidariedade agoniza no descuido
A onipotência própria nossa faz-nos infelizes.
O abraço, o beijo, o carinho, aperto de mãos;
Ternuras, carícias, olhares, sentimentos... amor;
Bens raros - escassos na alma.

De nada adianta um carro
Um avião, um telefone.
De nada serve um carro se não tenho para onde ir;
Um avião se ninguém está a me esperar;
Um telefone se há palavras de amor a dizer e ouvir.

Este é o progresso que vivemos:
A felicidade do ter em detrimento do ser.
É a máquina artificial domando a máquina viva.
É a agonia que vem do desenvolvimento cego
E descontrolado, parida na tecnociência,
Morte/Nascimento que nos fazem metamorfose geral.

À tomada de consciência da crise-problema,
Canalizada na sua superação.
Mulheres, homens, sociedade, planeta
Na reconstrução - transformação
Que se faz às ruínas da humanidade.
Crise planetária - policrise!
Em busca da sua, nossa identidade - sentido!

ENVIADO EM: 13/11/2007

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Iza Klipel
São Mateus / ES


Rebentos de Ressurreição


Inda que, no presente, me firas tanto
No meu peito suspire um coração exangue
O porvir de cada novo dia me diz
Não há pranto que, eterno, se delongue!

Em plena floração de primaveras
Novas manhãs de setembro virão
Perde-se um bem... Outro, há de vir
Se perece uma flor, há de vingar um botão!

O fim da esperança é a morte do sonho
O cultivo do perdão um salmo de paz
Conduze-nos à serenidade e à libertação!

As árvores outonais antes de florirem
Desnudam-se em tristezas e gemidos
Mas, os céus, depois da provação...

Coroam-nas em rebentos de
Ressurreição!

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Matilde Helena Espindola
Guaratinguetá / SP

O tempo

O que é o tempo
Senão, o não-tempo que abriga
Os doces desencantos
Das chamas reluzentes
Dos que renascem das cinzas?

Cuidemos pois, do não-tempo que passa
Da vida que rodopia pelas horas a fora
Antes que o tempo infinito finde
Enchendo de vazio
O amanhã e o agora.

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Vander Artur de Lima
Rio de Janeiro / RJ

Viver

não é um gole,
bebido duma só vez,
numa fria manhã.
Não é um entornar-se,
na goela, com mãos trêmulas,
num gesto brusco, de proveito perdido,
porque já não se importa o sedento com o paladar.

Não, não o é.
Mais parece uma fina bebida,
na ponta da língua, acariciada.
Exige requinte, o cuidado de tê-lo,
porque a pressa logo logo o destempera.

E pressentido o sabor, deve ser deliciado;
do contrário, que sentido terá, então, viver!

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Ricardo Conter
Porto Alegre / RS

Feriadão

É fim de tarde
a cidade se move
o povo tem pressa
e no corre-corre
o trânsito estressa
Carros vêm e vão
andando quilômetros
em procissão
Mas no outro dia
Fica tudo vazio
a cidade fantasma
vai causando arrepio
Tudo se transforma
numa imensidão
as ruas se alargam
as coisas se acalmam
É feriadão !!!

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Franklin Cirino Ribeiro
Linhares / ES

Amor quieto

Meu amor nunca me vê.
Passa sempre ereta,
Firme como uma torre que
toca com a língua os ares azuis.

Meu amor nunca saberá que
ergo sentinelas nas sombras para mirá-la
A partir deste meu Universo secreto,
valioso e quieto como um diamante.

Passa com os cabelos trêmulos feito estrela,
E, às vezes, os contêm com as mãos!
Passa como passa uma deusa arfante do Olimpo,
Intocável, intacta!
Toda ensolarada
(ou enluarada).
E eu, pobre de mim,
Não sou astro nenhum.
Nem anel e satélite - ou qualquer corpinho celeste...
Sou um jeca comum.

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Maurício Cavalheiro
Pindamonhangaba / SP

Matizes

O mundo,
no fundo, no fundo
é muito bom...
Depende do tom
com que você o pinta
depende da durabilidade da tinta.

Viver
é ser um pintor perseverante,
é descompor
o mundo beligerante
com as matizes da essência do amor.

Se a vida
é lida ranzinza,
é vedado crer
que a melancolia dos tons de cinza
seja impossível remover.

O mundo,
no fundo, no fundo
é muito bom...
Depende do tom
com que você o pinta,
depende da durabilidade da tinta.

[ Comente ou envie mensagem para o poeta ]

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Tony Clemente de Souza
Recife / PE

A porta

Dá-me vida, mesmo que sem alma,
Range, logicamente, na hora.
Abre, fecha, atola-me no trauma
De uma abóbada que me isola.

Desse provido mundo, lamacento.
Deu-se a fonte do rebento,
De uma luz semicerrada,
Para uma vida-quase-nada.

Cor de chumbo, jovem enrugada,
Liberta-me desse intento
De solidão calculada.

De certo sabes quanto tento
Livrar-nos dessa chaga:
A de mirar-te aqui de dentro.

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