| Carmen
Lúcia Hussein
São Paulo / SP
A mala velha
Procuro
na mala velha
Que está no sótão
O amor
A saudade
A felicidade
A flor que não murcha
O seu retrato
As velhas cartas de amor
Os velhos poemas de amor
Procuro uma canção na velha mala
Que está no sótão.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Juliana
Silva
Brasília / DF
Quem somos?
Somos
infinitamente mais do que imagens,
Nossos sonhos voam pela imensidão
Dos céus da vida em várias abordagens,
Em labirintos sós dos dias que se vão...
Podemos
ser como pássaros da liberdade,
Com asas simples da imaginação,
Sonhando em versos que o amor invade,
Assim, dispersos, nesse coração...
E
se o céu permite já voar sem calma
Além do triste mundo que sempre vemos,
Ainda existe tanta luz na alma
Que não podemos mais ser tão pequenos...
Vejamos,
pois, o que de fato somos,
Além do mundo e muito além da dor,
Bem ou mal, no enigma do que já fomos
Em cada só indício de uma luz do amor.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Gustavo Vervloet de Medeiros Bastos
Rio de Janeiro / RJ
Frêmito
Se
a toda hora sinto que estou partido,
Que estou ausente,
Que estou perdido,
É porque vou.
Ah,
como tudo se esvai!
A vida se desmancha em ar
E eu caio na angústia
Do intraduzível.
A
toda hora, tempestuosa máquina
De amargo e palidez
Mata meu ego,
E o amor das coisas calmas
Se finge
Em lágrimas.
Nos
bosques das belezas,
Milhares de corpos bamboleiam,
Uma loucura se apresenta
Em cores de carnaval e luxo.
Ah,
pilhéria indigesta,
Chiste amaldiçoado,
Patuscada e idiotia
Para todo tipo de gente,
O meu lépido
Vinho de estrelas,
E a lentidão dos meus olhos
Fugidios.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Paulo
Otto Kämpf
Campinas / SP
(Sem
título)
As
flores
fazem sexo
com os insetos
e o ar está cheio
de perfumes.
no campo os insetos
fazem amor
com as insetas
e os zumbidos desafinados
soam ao vento.
O farfalhar das folhas
beijadas pelo vento
enchem o espaço de alegria...
a primavera.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Nísia
Maria de Sousa Cordeiro
Natal / RN
Saudade!
A
sombra... quando encobre a alma
Parece eclipse que ensombreia a lua
E veste de luto a lágrima sentida e nua
Que o tempo não contém, nem acalma.
A
vida... quando decide então sucumbir
E nos olhos vê-se a chama vívida apagar,
E as cores etéreas não pode mais abraçar,
Transforma-se numa estrelinha a luzir.
A
saudade... quando se instala no peito
E consome com o sopro da solidão
A ânsia bruta de sua própria ilusão.
A
lembrança... é tudo o que, com efeito,
Resta aos ombros dos seres imperfeitos
E pinta de sonho a sua própria emoção!
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Lenir Mattos de Moura
Arraial do Cabo / RJ
Ensinamentos da vida
Dei
um passo, cresci um pouco,
Dei mais um e dei mais outro.
E a cada passo que dava,
Me sentia maior.
E cresci mais, e cheguei ao topo.
E enxerguei a vida de cima prá baixo.
E me senti gigante!
E me achei melhor!
E te esqueci.
E no mundo que conheci,
Perdi-me pelas ruas, me encontrei no escuro.
E me entreguei à luxúria.
O dinheiro bancava!
Mas na vida faltava algo que nem eu sabia...
Um buraco medonho, me sentia tristonho,
Eu não tinha alegria.
Sou escravo do medo
Que me roubem o segredo
Do cofre forte guardado.
Eu só penso em seqüestro
E de todo o resto,
Tenho um medo danado!
Eu cheguei lá em cima,
Tenho muito dinheiro,
Mas não tenho você.
Aprendi que a vida ensina,
Só não aprendi que primeiro
Tinha que aprender a viver.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Décio de Moura Mallmith
Porto Alegre / RS
As
cores do outono
A
moldura da janela
linda o diluir da vida.
O tempo a escorregar
lentamente... Inverno!
Momentos, horas,
dias e noites, semanas.
Vai uma estação,
vem a outra, e outra...
Mudam as cores. Amores!
Vão-se as flores,
primavera, verão,
e uma outra estação.
São meus olhos me enganam
ou as folhas e as cores
tornam-se bucólicas no outono?
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Lígia Manccini de Oliveira Barros
Presidente Prudente / SP
Estou
aqui
Estou
aqui
Relendo páginas
Quebrando códigos
Revendo a tática
Estou
aqui
Colhendo lágrimas
Plantando a lógica
Perdendo a prática
Não
existe mágica
Só existe métrica
Fatídica cólica
Dos tempos de lástima
Mas existem céticos
Mas existem críticos
E os falsos mártires
Que destruo em sátiras
Estou
aqui,
Um tanto romântica
Um tanto apática
Um tanto exótica
Um tanto estática!
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Bruno
Aires de Sá
Fortaleza / CE
Verme
O
cotidiano é um parasita.
Imundo anelídeo que corrói
As almas proletárias,
e o coração dos viajantes.
Larva que se confundiu com o amor,
e hoje se arrepende
profundamente.
Daqui
a pouco,
dormirei,
e até que você vire a canoa,
os vermes cotidianos
continuarão
habitando meu mundo,
corroendo nossa casa de palha.
Mas,
não me tirando o pedaço.
São como
sanguessugas de ventosas úmidas
que te ferem
mas não te apagam,
mas não te destroem,
não te saciam.
Só existem,
existem até que morram por inanição...
E
se não houver algo mais triste
que um verme faminto, digo:
''Você é o meu cotidiano.''
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
João Baptista Ayres Neves Neto
Rio de Janeiro / RJ
(Sem
título)
assim
que o tempo abrir
farei do inferno meu lugar
rastejando como uma serpente qualquer
e cuspindo fogo na incerteza do vento.
assim
que o tempo abrir
reencontrarei a palavra monstro
numa torre abandonada por um suicida
que esteja a falar sozinho antes do momento fatal.
[ Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Elanderson Soares Lima
Teresina / PI
Fato
consumado
Poesia
é forma livre de Direito.
Poesia é vento que sopra para o infinito.
Poesia é expressão do que você deseja.
Poesia é luz, escuridão, amor, paixão.
Poesia é traição, revolução, é
morte que dá vida.
Poesia traz a alma do poeta nua e desgarrada,
Poesia é dada para aqueles que vivem em liberdade.
Poesia
é o futuro imperfeito do eu tenho para lhes dizer,
Poesia é o quanto sofro ao perceber com simplicidade
que o amor não tem mais valor!.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Nilda
Dias Tavares
Rio de Janeiro / RJ
Renascimento.
Eu
quero lutar com meus medos,
Quero enfrentar meus problemas,
Meus fantasmas e dilemas,
Sem máscaras e sem segredos.
Quero
amar de alma lavada,
Deixar meu lado obscuro,
Pra gozar do amor mais puro
Que encontrar na minha estrada.
Rever
todos os conceitos
Viver sem os preconceitos
Novos caminhos, buscar.
Criar
uma nova história
Procurar a minha vitória
E livremente, voar.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Nathalia
da Cruz Wigg
Rio de Janeiro / RJ
Noite
no riacho azul
Caminho
nas rochas
Que cintilam o roxo,
A lua parece prata.
Sobre a terra molhada,
Marcas do corpo
Que se banha no esboço
Daquela futura pintura
Já traçada...
Nosso
quadro na parede,
Casa da árvore rente ao lago,
O riacho metálico azul mágico
Revela-se em transparência,
Renascença... sobre o ser amado.
Vermelho,
branco, laranja
Fruta doce... que reveste a árvore
Dos frutos sagrados...
Fogo
sagrado!
Na fogueira ali perto...
Rente ao deserto repleto
Do riacho azul.
Noite eterna... Nova Era in blue.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Thelma Regina Siqueira Linhares
Recife / PE
S
O S
São
Francisco de Assis
o teu xará rio nordestino
- o Velho Chico -
clama socorro!
poluído
represado
não quer ser esticado
quer, sim, ser respeitado
revitalizado
para cumprir seu destino.
Ele
que já foi considerado o rio da integração nacional
e já teve transformado seu curso natural
só quer continuar sua sina
de Minas à Alagoas
pois a seca nordestina
não se resolve só com barragens
que modificam paisagens.
Muito mais é preciso
atitude, ética e juízo
pois se até seus mitos e carrancas
já não assustam mais!...
O
que pode fazer um rio...
sozinho?
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Viviane Coêlho de Séllos Gondim
São Caetano do Sul / SP
Abre-te Cézamo!
Ah!
Que bom seria voltar a crer na força da magia...
Magia que conduz a mente de criança,
que faz com que tudo pareça acontecer como se quer.
Quem
me dera dizer "Abre-te Cézamo!" e as portas se abrirem.
Quem me dera dizer "Pirlimpimpim" e as coisas acontecerem.
Quem me dera dizer "São Longuinho",
dar três pulinhos e os sumidos reaparecerem.
Quem me dera chamar a Fada Madrinha e ela vir,
ou esfregar uma lâmpada e o gênio surgir.
Abre-te
Cézamo, Pirlimpimpim, São Longuinho!
Vem Fada Madrinha, e faça o Gênio da Lâmpada me atender...
O que será que fiz de errado?
Falta alguma palavra mágica?
Falta força nas palavras?
Falta magia?
Por quê eu não consigo crer na força da magia,
que nos idos da infância, acreditei um dia?
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Ricardo
Santos
São Paulo / SP
Não adoece
Quem
sorri.
Quem lê.
Quem chora.
Quem ama.
Quem perdoa.
Quem agradece.
Quem vive.
Adoece,
quem não se
vê como é.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Cynthia Lopes
Rio de Janeiro / RJ
Ao poeta Gentileza
Amo palavras gentis:
- Gentileza, gentileza,
poeta da rua, andarilho,
vadio, de palavras soltas...
Essa
poética urbana:
necessidade do amor,
total urgência da paz,
sem sutilezas, pretextos.
Merece
aquela homenagem
quem, por tal delicadeza,
coloriu esta cidade.
Numa
via cinza e feia,
com uma real gentileza.
Ao poeta, reverências!
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Lorena
Kelly Alves Pereira
Acopiara / CE
Indignação
Oh
,Educação medíocre!
Corpo docente hipócrita!
A massa enganada,
Alienada por um sistema
Que só corrompe, pisa e mata.
Mata as inteligências. Destrói as possibilidades.
Revolução! Quem sabe não seja a solução?!
Alguns colegas dizem que isto é tolice,
Eu não acho. Talvez desse certo!
Talvez os oprimidos enxergassem a opressão!
Quem sabe?!
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Ana Joaquina de Oliveira Cruz
São Luís / MA
Meu amor!
No
mar revolto, canto de sereia!
Cabelos ao vento, paixão ardente...
Corpos escaldantes a rolar na areia,
Revelando um desejo urgente!
São
momentos mágicos, confesso!
Um redemoinho de intensas paixões,
Oásis que abriga inquietos versos,
Dispersos no ar em furtivas emoções!
No
horizonte nosso fogo se ateia,
Alimentado pela sede de amar,
O céu, cúmplice, teu rosto delineia,
Enlouquecendo-me, roubando meu ar...
Ouço
a voz do vento claramente,
Incitando-me a outra vez te amar!
És o meu vício, o meu presente,
Volto a sorrir, não quero acordar...
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Andréa Coelho de Séllos Soares
Vitória / ES
Paradoxo
Mais um dia amanhece
E eu ainda não fiz o meu desjejum,
Hoje você não está,
Está na China, onde estará?
Porém, o meu desejo continua esperando pelo seu beijo.
O
paradoxo existe.
O medo que me protege é o mesmo que me impede a emoção.
Temor do amor. Amor e dor.
O temor não me deixa.
Eu não deixo o temor.
Mas um dia, bem me lembro, vivemos loucamente a paixão.
O
meu estado racional luta contra todo o meu emocional.
Sinto raiva, sinto medo,
Sinto amor.
Por um instante sinto e sei o que sempre fui.
Sempre fui louca por você.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Ivaneti Nogueira de Jesus Silveira
Aparecida de Goiânia / GO
O silêncio do sorriso
Teu
sorriso me vestiu de seda
No teu paraíso encontrei a paz
Tu foste o companheiro de jornada
Pois contigo fui às estrelas
Me
encantou no teu corpo de menino
Me fazendo mulher de sonhos e fantasias
Nesta noite danço só a dor da esperança
E no relógio as horas parece não passar
Me
assusto com a música da saudade
Fico esperando o amanhecer do arco-íris
Para passear no universo de tua pele
E ver o despertar de mais um dia juntos
Com
você sou a mistura das cores em tuas mãos
Sem teu amor sou o quadro negro da solidão!
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Vitorio
Luiz Kaehler
Rio de Janeiro / RJ
Porquê
Por
que a luz do sol não me traz vida?
Por que só traz angústia, remexe a ferida
Que corta, dilacera assim meu pobre coração?
Por
que matei meu ser? E todo o meu sossego
Sucumbe, tomba abandonado, réu de tanto medo
Só por saber que amor te dei em vão.
Por
que a luz do sol, romper da aurora,
O dia, a claridade me apavora,
O abrir os olhos, despertar das trevas, renascer assim
Com
tal desassossego,
Dor, tormento e medo,
Ver terror em mim.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Caroline
Guimarães Gil
Umuarama / PR
Coisas
minhas
A
coisa não tem nome
A coisa não tem regra
A coisa come coisa
A coisa quer estante
A coisa pede briga
A coisa se assenta
O banco que permuta
A troca que se expande
A coisa não tem coisa
A coisa é feita de várias coisas
Essas coisas são sempre perdidas
Coisas minhas, quadros, calcinha...
Quadros de Picasso, foto Monalisa
A coisa é mais que dentro-fora
A coisa fica no ar quando alguém me olha
Quando alguém assopra ou enverniza
Sobre a coisa minha que é coisa sua
A coisa tem carência de coisa
A coisa sente falta de coisa
A coisa omite tantas outras coisas
A coisa se compra num bar
A coisa se compra na esquina minha
A coisa que ficou cortesã
Que já nem tive e tenho também
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Eliane Resende Ribas
Juiz de Fora / MG
Quem
tá comigo?
Comigo
como amigo
com o amigo
cômico
não sei ao certo o que acontece, mas acontece
não sei explicar como acontece, mas resplandece
é inexplicável
não pede licença e já vai tomando conta
se apropria das nossas intimidades
vira confidente e também cúmplice
a gente sente falta e quer sempre falar
não dá pra explicar, mas dá pra sentir
o amor é tão grande, que confunde
é tão verdadeiro que chega a gerar dúvidas
mas é fato. É real.
É o amigo fiel.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Rita
Motta
Cachoeira Paulista / SP
Pare
o tráfico!
Tiraram-lhe
os sonhos,
Roubaram-lhe a dignidade.
Levaram-lhe os planos,
Já não tem mais vontades.
No espelho seu reflexo
Já não é o mesmo.
No corpo, marcas da dor.
No rosto, marcas do medo.
Sem esperanças ela grita.
Ameaçada tem que se calar.
Faz o que lhe mandam forçada.
Com as lágrimas no rosto a rolar.
Olho para ela e penso:
"O que posso eu fazer?"
Quero unir o mundo inteiro,
Para um futuro novo ela ter.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Elcio
Ribeiro Pinto
Barra do Piraí / RJ
Discutindo com a natureza
queria
ser o sol no amanhecer.
Mas e se ele não nascesse?
O que você faria?
Perguntou a natureza.
Aí eu seria a chuva.
Mas e se ela não viesse?
Eu seria o vento.
Mas e se não ventasse?
Quem você seria?
Eu seria o dia sem sol,
sem chuva e sem vento.
Eu seria nublado,
sem graça e cinzento.
Está satisfeita assim?
Quer saber de uma coisa?
Então prefiro ser a noite
com seus mistérios e segredos.
Mas e se não anoitecer?
Insistiu a natureza.
Então prefiro ser a lua cheia.
Mas e se ela não encantar?
Serei então a madrugada.
Mas e se ela não chegar?
Serei então a nuvem.
Mas e se ela não se formar?
Então quero ser estrela.
E se ela for cadente?
Puta que o pariu!!
Porra!!
Você venceu!!
É simples!
Caio com ela,
arrebento-me no chão,
e deixo de sonhar...
Está satisfeita assim?
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Gabriel
Moreno Quinteiro Neto
São Paulo / SP
Marca d'água
me
marcou demais, dez vezes um raio
ou um cometa, sobre todos os fogos,
sobre apenas alguns poucos povos
não marcou mais que ninguém,
é um clichê de poucas origens
numa noite extraordinária
de verão augusto.
não
foi nada mais do que traço de mulher,
caligrafia arredondada nas formas sobrevolumosas,
sem peso qualquer, no entanto, esse desenho salobra,
esse corpo em fuga, é coisa tátil,
são ternuras desdobradas em um brilho evidente.
esses
fatos, territórios demonstrados,
em fórmulas estúpidas, de homens sem tentáculos,
é caixa vazia, a fazer cerimônia,
de modo triste e brega, e a criança não nota
a realidade tão latente.
as
salas, os universos,
os ambientes pintados
em várias cores, os cantos
subitamente iluminados
e depois uma sombra
espero
que, um dia
abra-te uma nova
densidade, ó
percepção alheia
ó tomates mau aproveitados
ó coronel transfigurado
ó peso de cinco mil titularidades
ó luar de coisas antigas.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Renata Dias
São Paulo / SP
Ultrapássaro
Algumas
vezes ferida sinto vontade de ir para casa
Descansar minh'alma
curar minha asa
Reconstituída volto a batalha
Tento pelo futuro
Encontro o gigante no caminho
Sinto medo e subo no muro
Mas venço-o com minha inocência
Sinto o heroísmo do instante
E vôo com soberania e independência
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Silvio Côrtes
Borrazópolis / PR
O imaginador
Batia
um tambor imaginário,
Debaixo de uma mangueira que não existia,
No meio da praça de uma cidade fantasma,
Tocando uma música que ninguém jamais compôs,
Para uma platéia que não estava ali,
Depois passava um chapéu inexistente,
Recolhia aqueles trocados de faz de conta,
E agradecia a ninguém pelas palmas que não recebera,
Olhava
aquela morena que não respirava,
Beijava lábios que não nasceram,
Juntava uma fortuna de era uma vez,
Alimentava sonhos impossíveis,
Rezava numa igreja irreal,
Diante de um santo sem vida,
Ajoelhava-se naquele chão que não estava ali,
E chorava um choro sem lágrimas,
Mas
era apenas um rapaz comum,
Que batia um tambor imaginário,
Que amava alguém imaginário,
Que beijava alguém imaginário,
Que chorava uma dor imaginária,
Que gastava um dinheiro imaginário,
Que sorria um sorriso imaginário,
E imaginava ser feliz de verdade...
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Mônicka Christi
Rio de Janeiro / RJ
Ama-me
Ama-me
desesperadamente
Enquanto ainda há tempo em mim;
Ama-me com volúpia apaixonada,
Como alma desgarrada que s'encontrou enfim;
Ama-me com loucura pra que eu possa prosseguir
E lembrar desse momento sem ter fim;
Ama-me na ternura do olhar
Pra vida eternecer e brotar neste lugar;
Ama-me com tua boca quente e sonora
E assim sentirei a aurora germinar dentro de mim;
Ama-me com este toque de desejo
Fazendo com que eu voe ao paraíso;
Ama-me para que eu resista aqui, neste momento
Como quem necessita do ar para si...
Ama-me !!! Ama-me !!! Ama-me !!!
Ama-me para que eu não me vá
Solitariamente ao inferno de mim...
Ama-me para que haja esperança,
Para que haja constância no meu existir...
Ama-me!...Ama-me!...Ama-me!...
Apenas ama-me sem mais ter fim.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Antonio Cícero da Silva
Carapicuíba / SP
A
vida é curta
A
vida é curta
Todos sabemos disso
E muitos a encurtam ainda mais...
Quanto desperdício!
A vida é passageira
[ pluft!... passou! ]
Simplesmente vem e vai...
Nascemos e morremos
Deixamos saudade, história.
Afinal, é o círculo da vida.
Uns vivem mais, outros menos
É assim a nossa lida.
A vida nos é doada
Para cumprirmos a nossa parte
E depois...
Prestarmos conta à Majestade
[ e nessa “prestação de contas”
não vale corrupção ].
A
vida é muito curta,
Passa num sopro...
Pense nisso!
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Ana Terra
Nova Petrópolis / RS
Apesar
do tempo
Esperar
é o lema
e agir é o tema
Se
passou, está presente
embora ainda ausente
o que vem
já se sente
e
faz de mim inútil
poder que tem
sobre tudo
apesar
de você no domínio
tempo
eu confio no tempo
eu
só quero pra mim
mais um tempo
só um tempo lento
pra
tentar compreender
leva um tempo
tento
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Antonio
Auggusto João
São Paulo / SP
Costela
de Adão
Se
quiser saber quem eu sou, do que sou capaz,
Mire-se na paz do meu semblante,
Não sou tão perfeito assim,
Mas você é o bem que Deus fez pra mim.
E
se pudesse...
Eu lhe daria o céu, a terra e o mar.
Afogar-me-ia em teus beijos,
Realizaria todos teus desejos,
Como Deus :
Que
num instante de sabedoria e inspiração,
Fez você... Mulher... Da costela de Adão,
Pra não deixar-me morrer de solidão.
E
o amor, que seja as marcas dos teus beijos,
Seja mais do que desejos,
Nos sussurros, nos teus seios,
Coração que sai do peito...
Esse
é meu jeito.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Gustavo
Cassio de Moraes
Mariana / MG
Comunhão
Fogos,
festejo da multidão amontoada,
bebidas, canções, tudo em fartura
a cidade toda concentrada, na festa nenhuma
rasura, povos estranhos com seus valorosos
dinheiros, cheios de champagne e espuma
compram a promiscuidade precoce, alegria
ou fim espinhoso para quem não teve
escolha, não teve escola, a idade os pais
não têm mais para trabalhar, não têm
mais como regar a vida,
de longe sentem os ais que
trarão a força para seguir adiante,
o barulho dos fogos não permite refletir,
nesse momento todos em confusa sintonia
matando horas e como num rasante
Faz do vinho comida dos excluídos povos
a meretriz ociosa dá um tapa
na bebida de um gringo qualquer,
em delirante fuga tenta sobreviver
e o mesmo barulho dos fogos põe
no chão a pobre mulher
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Uiara
Rosiene Melo
Macaé / RJ
Má companhia
Hoje correndo pelos campos de girassóis
Ao longe te vi
Tu estavas, perfeito
Senti um grande desejo
Quero ver-te esta noite, nem que seja só por um instante.
Quero tocar em tua pele,
Que me faz arder em chamas.
Quero muitas coisas fazer contigo.
Quero que me faças sua escrava do prazer.
Quero que o teu desejo me use,
Porque me deixarei ser usada.
Deixarei a janela aberta, ao chegar da noite.
Venhas, não hesites.
Pois à noite, todos estão por aí...
Cada um procurando, alguém para lhe completar
E tu me completas em todos os sentidos.
O que estarão falando de nós esta noite?
Não me importa.
Eu serei a tua má companhia esta noite.
E tu serás o meu gozo eterno.
O auge do meu prazer.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Ilia
Noronha César Neta
Manaus / AM
Saudades eternas
Saudades
que doem na alma
Que deixam o coração pequenino
Fazem-nos chorar
Arrebentam as emoções
Embriagando-nos em lágrimas
Suspirando pelos cantos
Sofrendo em prantos
Ai, que saudade é essa
Que me atira na cama
Envolve-me em chamas
Dizendo que me ama
Acalenta meus sonhos
Domina meus instintos
Mais que felinos
Que ferve meu sangue
Enlouquecendo-me cada instante
Que saudade é essa
Que me faz gritar
E às vezes sussurrar
O seu nome
Aonde você se esconde?
Por que você não vem me procurar
E acalmar essa saudade
Que há dias está a me condenar
Tudo isso são apenas sintomas
Da saudade que sinto de ti
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Romário Gomes da Costa Silva
Caicó / RN
Entre-tantos...
São
José da Bonita:
Há em ti fantasia e memória
Há amor e sedução.
São
José do Seridó:
Há uma breve história
Feita de dor e paixão.
Não
quero um amor ufano
Nem um protesto insano
Quero a medida da razão.
- Há um mito da caverna
Há vontade de gritar.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Fabiana
Coelho Jobim (9 anos)
Rio de Janeiro / RJ
Olhar
para o outro
Olho
para fora do carro.
Olho um moço
Pedindo esmola.
Quando
Olhei no fundo,
Fundo dos olhos dele,
Senti a fome,
A dor
A sede
Que ele sentia.
Então,
Pensei,
Pensei que poderia fazer algo.
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
---
Victor Matheus da Cruz (8 anos)
Canelinha / SC
Mistério
Oh!
Que barulho interessante!
Parece intrigante,
Com muito estilo
Canta feito grilo...
Com uma bela gingada,
Requebra como uma barata...
Com belos passos
Anda como um delegado...
Com charuto no dente,
Parece delinqüente...
Com muitas namoradas
E tem que agüentá-las...
Com muitos carros
Parece com um astro
Com uma bela mansão...
É muito bonitão
Com muito charme
Não tem quem não repare...
Sabe seu nome?
Nem eu sei, nem você sabe...
E quem quiser saber
Que procure na identidade
Com muita alegria
Parece um artista
Quem será ele?
Hum!
[
Comente ou envie mensagem para o poeta ]
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