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Maura
Soares
Florianópolis
/ SC
O
último recital
(A
Édio Nunes, ator teatral catarinense)
Silêncio...
O poeta aproxima-se do proscênio
para declamar seu último poema.
Um a um, naquela noite,
ele declamou para uma platéia embevecida
todo o seu rosário de tristezas.
Entre momentos de alegria quando
o foco do poema era a natureza,
instantes de tristeza ao cantar
os amores perdidos.
No palco, só uma cadeira.
O poeta, fatigado pela noite em que se
desnudou por inteiro,
senta-se.
Declina sua cabeça e chora um choro sentido,
contrito.
A platéia, que não entendeu
a dor do poeta,
pensando ser interpretação,
irrompeu em aplausos.
Desperto de sua angústia
com o barulho das palmas,
o poeta se levanta e agradece.
Flores são jogadas aos seus pés.
O poeta, lágrimas a escorrer pelas faces,
tenta sorrir
e se curva em agradecimento.
Só ele e mais ninguém
sabe que seu coração
está carregado de amargura.
As luzes se apagam.
CAI O PANO!
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