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Maria Inês Penha Rocha
Sertãozinho / SP

Iride

(A Iride, minha mãe)


Ainda te espero,
como espero muitos que me deixaram
por isso ou por aquilo.
Ainda te procuro por aí
em mim,
nos dias de sol e nas minhas noites vazias.
De lua ou de escuridão.

Em pouco tempo, muito pouco,
sem ti, a vida se fechou feito vidraça em dia de chuva,
as partidas, antes incertas,
mais que certas agora estão.

A saudade, feito bailarina travessa,
baila no meu coração,
noite e dia, dia e noite.
Ausência e presença se confundem num ritmo ensurdecedor.

Sem ter o que fazer, tento algumas orações,
que nada, não sei rezar.
Então pergunto, sem resposta,
onde estás?
que não sei,
onde estás?
que não voltas?

onde estás?
que tenho sono,
onde estás?
que tenho fome.

Onde estás?
Que mais te amo.

 
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Publicado na Antologia "Poemas Dedicados" - Junho de 2008