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Cornélio
Procópio / PR
Dezenove
anos
Ele acabara
de cumprir pena. Como era bom sentir o ar da liberdade bater em seu
rosto, ainda com feições de criança, mas já
marcado pelo destino. Junto com seu amigo deixaram aquele lugar fétido
e horrível para trás esperando não voltar mais
ali. O que ele queria naquele momento era saborear o momento que tanta
euforia lhe causava.
Imerso em seus pensamentos lembrava do que havia passado. Acordou.
Não queria mais pensar nisso. Só queria ir para casa
e rever os pais e irmãos. Deitar-se em uma cama simples, mas
limpa e sentir o calor de pessoas que lhe queriam bem. E comer um
arroz com feijão que sua mãe tão bem preparava.
Era só o que desejava.
Mas como foi acontecer tudo isso em sua vida? Lembranças lhe
vieram à memória. Primeiro foi um convite, feito por
seu “melhor amigo” para fumar um “cigarrinho”,
tomar uma cachacinha. Daí para outras drogas foi um pulo. Estava
viciado não sabia como parar. Já esteve até internado
em clínica de tratamento para drogados, mas não conseguia
perder o vício. Cada vez que pensava, mais raiva sentia. Se
pudesse voltar no tempo sua história teria sido outra. De repente
despertou de suas recordações. Batiam à porta.
Era sua mãe chamando para o almoço.
À mesa todos estavam em silêncio. Fizeram uma oração
agradecendo e começaram a saborear aquela comida simples, mas
gostosa. Entre uma conversa e outra, o ambiente foi se transformando.
Risos mostravam que a alegria queria um espaço para entrar
e fazer com que os últimos acontecimentos fossem esquecidos.
Era um almoço de domingo que há tempos não acontecia,
com todos reunidos.
Na sala de estar, Jurandir falava de seus planos. Queria voltar a
estudar, arrumar um emprego e até ajudar com as despesas de
casa. Todos ficaram contentes em ver o ânimo com que o filho
falava dos novos objetivos para sua vida. Havia uma esperança.
Depois de muita conversa resolveu dar uma volta pela cidade. Avisou
os pais que não demoraria.
Seguindo para o centro da cidade acabou encontrando quem havia cumprido
pena com ele, Serginho. Começaram a conversar e daí
um convite para tomar uma cervejinha no bar, foi rápido. Quando
chegaram escolheram uma mesa bem ao fundo, para ficarem mais à
vontade para conversar.
A conversa entre eles girava sobre o futuro que cada um queria para
si, as oportunidades de trabalho que esperavam encontrar e as chances
que teriam por serem ex-presidiários.
Até que veio a pergunta de Serginho:
- Você pretende deixar mesmo essa vida?
Jurandir respondeu:
- Eu não agüento mais. Minha família, amigos, todos
pedem para que eu pare com isso.
- Eu já não tenho mais esperança de me recuperar.
Estou muito envolvido. –disse Serginho.
-Vá embora daqui, saia da cidade. Faça qualquer coisa.
Ainda dá tempo.
O que aconteceu ninguém depois ninguém soube explicar.
Jurandir não teve tempo de ficar surpreso. Só sentiu
queimar o peito e o líquido quente ensopando-lhe a roupa.
Começou a sentir medo e frio. Passou pela sua cabeça
imagens da infância e que agora aos dezenove anos, tudo se perdeu.
Não sentiu mais nada.
O assassino foi preso em uma cidade vizinha tomando, tranquilamente,
sua cerveja, em um bar. Estava drogado.
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