| |
Ionita
Késia Pereira
Sapucaia
do Sul / RS
A
musa muda
E o poeta resolve escrever...
A folha branca lhe olha e indaga...
Seria uma adaga ou um florete?
E busca um lembrete na memória
Do que causaria mais impacto...
Um pacto de vida ou morte ou,
De amor eterno, uma declaração?
E a lauda então lhe faz outra pergunta...
Mais profunda ou mesmo incisiva...
É a bela donzela ou uma escrava esquiva?
Ao que lhe responde prontamente:
É indiferente a condição da dama
Se numa cama ou jardim seu fim encontra
Se do faz de conta ao enigma se debate o sofredor
Que por amor se desespera em busca da amada
Que aprisionada na torre a espera fenece
A musa muda calada aceita e não rejeita
O que lhe oferece o poeta onipotente
Se príncipe ou sapo, não cabe à bela,
Donzela ou vítima, escolher.
O inspirado dita a ela a sorte
Sem remorso ou apego a faz sofrer
Só deseja que a sua história
Que da memória desenha a caneta,
Discreta ou exuberante narrativa,
Faça sentido ao amante e ao leitor.
E segue a vida errante a procura
De outra musa que ainda o inspire
E respire no mesmo latente ritmo
Que no seu íntimo vai o coração
E veja canção e vigor na vida
Que ainda que sofrida e fraca
Vá depressa da dor ao riso
De quem tem siso de amar
E seguir perseguindo o amor.
|
|
|