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Larissa
Nascimento Sátiro
Feira
de Santana / BA
Teus
olhos
Ah!
Aqueles olhos me fitavam insistentemente...
não olhavam para os lados, não piscavam; inertes
buscavam minha alma que já inquieta se contorcia convulsivamente.
Será que eles podiam ver aquele desejo todo
que em si mesmo era pura insanidade?
Pareciam todos querer me olhar nos olhos quando eu já não
mais queria ver.
De que me serviriam os sentidos primários
quando já reinavam puros os instintos?
Um impulso de id e meu ego se perdera inteiro naqueles olhos.
E eram tantos... eram multidões.
Ora me abriam os braços, ora se atiravam sobre mim...
se avolumavam como mãos que tentam se conter mas não
conseguem...
e tocam com profundidade... e se condenam por isso...
eram feras, eram tempestades aqueles olhos.
Eram virtuais, vivos... era como se eu estivesse na mira.
Era como se rissem de mim. Eram a medida do corpo,
o peso da alma, a abstração do espírito e eram
mais...
Como uma fumaça que se não deixa tocar.
Eu já tão perto do abismo para onde aquelas águas
me levavam
e não era mais medo o que sentia.
E quando abri os olhos pensei em me deixar cair com as águas.
Mas é tão bom estar a dois passos do paraíso.
Como uma imagem congelada estou aqui, com esses olhos grandes sobre
mim
como a querer me abocanhar... como se fossem dentes.
Esse despenhadeiro imenso à minha frente
e essa dúvida no meu coração (aquele feito de
carne e sangue)...
esperando que a tensão superficial se rompa e me absorva.
E todos parecem estar olhando, vidrados, aguardando o fim
que prenuncia o novo, o eterno. Mas ainda não posso soltar
a corda...
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