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Henrique Pompilio de Araújo
Cuiabá / MT

 


Partida

 

Deixem-me ver o sol enquanto brilha
deixem-me ver a lua enquanto enxergo
deixem-me ver o mar enquanto posso
abram-me os olhos por uns instantes
a contemplar o mundo quero tanto um pouco.


Vai-me longe o que muito amei
antevejo perto o meu desconhecido,
que me assombra tanto e me apavora
a partir tão longe, a bagagem seca
acumulei tanto, pra partir sem nada.


Quão pesado vejo meu "caixão" de ouro
meu colchão tão alvo é de prata pura
rubis, esmeraldas, diamantes são meu travesseiro,
cheio de luz, de vaidade e orgulho, fui
um vazio imenso, parto sozinho agora.

Queria ver o sol a sorrir tão belo
a encher os olhos, a semear a paz,
mas...quem dera... já é muito tarde
olhos, ouvidos, e boca eu os tive
todo o necessário pra viver tão cego.

 
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Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea - Edição 2009