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Antonio Lycério Pompeo de Barros
Brasília / DF

 


Matar a solidão

 

Matar a solidão, é coisa que não faço.
Tentar não adianta, eu sei que não consigo.
Amante dela sou, como você, amigo,
Como você, dormir prefiro em seu regaço...

Matar a solidão, como essa gente mata!
Não é para nós dois. Macula essa pureza
De quem nasceu poeta, afeito à singeleza
Que dorme numa flor ou canta na cascata.

Se estamos sós, assim como eu me encontro agora,
Tranqüilo, aqui no sítio, onde a beleza mora
Em meio ao pipilar, feliz, da passarada!...

Peguemos duma pena. (É muito mais decente)
E, enquanto os outros fremem, delirantemente,
Façamos um poema à nossa bem-amada.

 
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Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea - Edição 2009