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Cláudio de Almeida
São Paulo / SP


Por quem choras, senhora?

 

Pelos campos de infames guerras
Entre maltrapilhos soldados
Perambulam restos humanos
Buscando um resto de senso
Nessa empreitada funesta.

Choram mães em longes terras
Mortificam-se mulheres amantes
Sucumbem esperanças e amores
Nas almas de filhos órfãos
Nesse angustiante abandono.

Onde chorar os filhos que partem
Indagam aflitas senhoras
Nos altares que conclamam à luta
Ou nas lajes onde repousam guerreiros
Eis a questão sem resposta.

Não choram por covardia
Os filhos que por lá tombam
Derramam prantos de angustia
Pelos amigos perdidos
E pela amantes deixadas.

Que funeral mais perverso
Aos que ficaram sem cova
Rasgados pelos abutres
Em terra distante e estranha
Da Pátria por quem morreram.

Medalhas não trazem vida
Nos Panteões não moram sonhos
Aos que ficaram só resta
Um grito de dor na garganta
E uma alma vazia.

 
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Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea - Edição 2009