| |
Gabriel
Moreno Quinteiro Neto
São
Paulo / SP
Manuelle
nas
conexões incertas, de mares e portos,
os códigos obscuros e suas conexões de mãos,
se pegando no escuro, procurando o amor
ou sentimentos de pertencimento
a essa dança de vales e sombra
fica o desenho de olhos, os sombrios
olhos de uma tristeza leve, porém
não mais pesada que os números
por trás da tela, trabalho de muitos
óculos gastos e olhos ainda mais sombrios
desejáveis daquele carinho deportado.
não
é porque o pedido urgiu, que vai o canto amarelado
de alguém que ainda vai aprender essas cores que desconheço;
o formato de mais um rosto
de mulher numa noite de inverno.
não
é porque, Manuelle, de quase outro continente
que a noite e suas estrelas feito bolhas, tomam sentido
total e me fazem caminhar pela estrada do te conhecer
sem poder te ver, olhos que se aprofundam pelas
fibras óticas, ou fios ordinários, cobras inanimadas
em terras desconhecidas te buscando, velhos tentáculos.
é
como um país, essa nossa grande nação,
o que se constroi palavra a palavra
nas teias recém tecidas; não procure
o amor perdido na praia isolada,
nas dunas inconstantes
nem
faça estátua na pedra ou fixe-se ao substrato
primitivo, és adolescente adiada, que te deixo
por um gole, ou te brindo numa noite que ressurge
por detrás de uma cortina estampada, da qual havia me esquecido.
|
|
|