Regulamentos Como publicar Lançamentos Galeria Contato
Projeto Saber Cordel Edições especiais Imprensa Como adquirir

 
Antologia on line
 
 

José Luiz da Luz
Ponta Grossa / PR

Ilusão

 

Pois que a beber nos dá o mundo inebriante,
a taça de vapor, cheia de ilusão.
Nas frontes cegas tem sido transbordante,
à fome de ouro, dos seres sem razão.

Real aos sentidos! O que é um sentido,
senão a percepção do sabor da taça?!
Que entorpece a alma, do peito embevecido,
mas não passa o mundo de uma vil fumaça.

Ninguém há de levar, senão o que há na alma,
nem colher a flor que não tenha plantado.
A morte despe ao rei, errante sem calma,
vendo a ilusão do ouro que fora abraçado.

Páginas desvairadas! Tudo ilusão!
Que valem as vãs vaidades e opulências!
Se na morte exaurem frias sem ação,
anemiadas, derretem as aparências.

Taça instável, pois que tudo se transforma,
as flores murcham, os lagos se evaporam.
O ouro é a incerteza das nuvens sem forma,
de faces ocas, que aos ventos também choram.

Ilusão! ... que iça um coração desnutrido.
Que vale o cetro do rei, de áurea fumaça,
se não reina à morte um vil trono vencido.
Passam verbos, passam vidas! Tudo passa!

 
      Volta Página Principal
 
Publicado no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea - Edição 2008