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Ledalge
Paranaguá / PR

Vulcões

 

Quedo-me diante da escaldante poesia!
Como lágrimas escorridas dum vulcão...
Quedo-me das ilusões tardias!...
Vou censurar o meu olhar d\'emoção!

Quero reinar na frieza dos montes!
Como neve, levar os folículos de sal...
Que escorrem ardentes no horizonte,
Na maldita sintonia desse mundo abissal!

Porei meus dedos na folha branca e rota,
Sem amar novamente o teu rosto maldito!
Quero ver que as lavas em mim secaram;

E meu siso é madrugada dos que loucamente amaram!
Quero ter esse peito inflado e acredito...
Que não sou um vulcão explodindo em revolta!

 
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Publicado no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea - Edição 2008