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Cristiano
Nogueira de Oliveira
Quatis
/ RJ
Ontem
de madrugada
Não tenho certeza.
As formas não estão tão claras.
A mente mergulha numa escuridão intensa.
No coração, só ecos de uma batida que não
bate mais.
Olho pro espelho e não me vejo,
Olho pra trás e já dobrei a esquina.
Muros... Muitos muros.
Tomo um trago de uísque, do barato,
Ouço Milton Nascimento, que é compositor.
Relembro Fernando Pessoa, já morto.
Se vão os sonhos e ficam as lembranças.
Um lugar escuro faz com que uma lembrança suceda outra.
Decepção é uma dor que cresce.
Eu não morri,
Mas estou sem vida.
Quando olho pro lago, o castelo não é mais o mesmo.
Pular da pedra já não faz diferença.
Agora é a lua que me olha.
Estou com medo...
É o passado
Pisando meus passos.
Não sei o caminho.
Não entendo as regras.
Não tem jeito, hoje tenho que chorar.
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