Bruno
Resende Ramos
Teixeiras
/ MG
Arrupeia
Bom dia
a quem é pelo dia!
Boa noite a
quem é dentro à noite!
Eis que a sorte peleja com o desgosto
E o café arruma o gosto e despista
Só a morte não encontra arranjos.
Faz os anjos tocarem em rebeldia.
Bom sonhos
a quem não chora encontros,
Bombons, namorados, folia!
Sozinho todo mar se arrepia
Faz ondas achegando-se às ilhas
"Rupeia,
menina, rupeia!"
Congado, cajado e cachaça
Na lança, o doce sal saboreia!
Tempera minha carne em sua dança!
Lambuza! Limão e cerveja!
O cão te fará doce sereia.
Mergulho e me perco em suas tranças.
Te faço dormir pela areia.
Amanhã quando chegar o descanso
A dor como o som que passeia
Na cabeça não te caberá mais desejos
Desenhaste nossos corpos na areia.
No avanço das águas salinas,
Essas ondas a limpar nosso ninho,
Ante o escrito poema em que assino
Viste as últimas linhas, o estribilho:
"Foi
amar-me, dia e noite, divino
E resumo de todo castigo:
Ao comer tua carne em remanso
Eu levei tua alma comigo!"
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