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José Faria Nunes
Caçu / GO

Tempo sem tempo

Era uma vez um menino
que sonhou um presente - presente agora,
presente-futuro, presente - o próprio presente.

Presente de forma da forma
presente - o hoje do amanhã
a manha do tempo - presente
futuro do ontem, realidade agora
prólogo de um tempo sem tempo
de se mensurar: tempo-sonho.

Nesse presente você fez morada,
nidação - um homem, uma mulher.
Presente e passado, confusão de tempos
tempo já passado, futuro sem tempo,
mero vir a ser que se foi sem ter sido.

Agora? Memória. O tempo do presente
migrou-se em futuro incógnito
e o que pareceu ter sido
tudo em nada se foi.

De resto no presente, do presente
mera memória. O presente migrou-se
para o nada. Um nada sem tempo
de vir a ser. E tudo foi-se
em nada se fez, além de memória.
Memória que dói: saudade.
Resignação. Fato consumado.

O menino acordou já tarde no tempo
agora sem tempo até de sonhar.

 
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Publicado no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea - Edição 2008