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Maura
Soares
Florianópolis
/ SC
Cães
& poetas
"Os
cães latem mais de madrugada
Os poetas sangram a qualquer hora".
(Lari Franceschetto, RS)
Na
madrugada fria, o poeta ouve os cães
a ladrarem, devorando lixos,
disputando espaços.
Seu coração apertado, sangra
pelo amor desiludido.
Não é assim que acontece aos poetas?
Só a dor ou o amor faz com que eles
evoquem suas musas e transmitam isso
em poesia?
Se é assim, o poeta, enquanto os cães
latem de madrugada,
sangra pelo amor perdido.
O que deu errado?
Ele amou demais?
Ele amou de menos?
Por que essa dor a dilacerar seu peito?
O poeta levanta-se, abre a janela
para observar os cães.
No lusco-fusco da madrugada, não consegue
divisar todas as formas;
Seus olhos ardem pela noite mal dormida.
O ar da madrugada penetra no quarto.
O poeta acende o último cigarro, veneno
que o está matando, mas que naquele
momento pouco importa.
Retorna à janela expulsando a fumaça que
se desfaz no ar.
Os cães apaziguam. Calmos estão agora.
A dor do poeta não cessa;
O cansaço da noite mal dormida, vence e o poeta
joga-se no leito a chorar suas mágoas.
Abatido pela dor e pelo cansaço,
adormece.
Será que há esperança?
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