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João
Carlos Tórtora
Petrópolis
/ RJ
O
último poema
Assusta-me
seguir nesta viagem
Para algum lugar que não escolhi ou conheço.
Estou certo que parto para a liberdade vazia,
Estende-me a tua mão magra e fria... me guia!
Evita tropeço neste início... começo,
E ergue o véu transparente sobre o meu corpo,
Que leva nada, além da pétrea rigidez de um pálido
rosto.
A sensação de peso e gelo
Traz-me comoção e desespero.
Ainda que tenha orações e das flores o cheiro.
Simplesmente não escolhi ou conheço!
Mas este belo caminho de inteiro ornamento,
É afago, é carinho, um atrativo aconchego,
Azul que reluz sobre um fundo infinito,
Que sem letras traduz a melhor poesia.
E crava, in memorium: - foi o seu último dia!
E na perplexidade de inexistente corpo, sem porte,
A certeza do momento em que se começa a viver a morte!
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