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Isabel
Cristina Silva Vargas
Pelotas
/ RS
Lágrimas
A manhã era chuvosa, prenúncio de que o dia seria sem
cor, gelado como era sua pele na manhã de inverno.
A ausência de sol deixava o dia igual sua vida: sem brilho.
Não esperava nada diferente naquele dia, até que o barulho
da campainha tocada apressadamente, como se alguém tivesse
pressa a surpreendeu. Atendeu.
Ao abrir a porta: Surpresa!
Era sua irmã. (Não a via há muito tempo)
Desde a morte de seu pai, encontravam-se esporadicamente. Falavam-se
pouco. Viviam distanciadas. Quando se encontravam não tinham
muitas coisas boas para lembrar. Só as dificuldades. Preferia
esquecer.
Surpreendeu-se com o abraço da irmã.
- O que aconteceu?- Indagou. Pareces muito aflita.
Marta, entre lágrimas respondeu:
- Estou só! Felipe partiu sem conversa, sem explicação.
Só uma carta.
Tornou a abraçar Beatriz. Ela permanecia imóvel. Não
estendia os braços. Não se movia. Não dizia uma
palavra. Parecia longe dali.
Imaginou-se no lugar de Marta. Se acontecesse com ela?
Não sabia responder.
Lembrou-se de Antenor, dos abraços carinhosos de outrora, dos
planos, dos risos alegres, dos filhos, dos momentos felizes, dos olhares
cúmplices.
Não sabia definir o que se passava.
Lágrimas quentes, silenciosas escorreram.
Estendeu os braços. Trouxe Marta para junto de seu peito.
Há muito não chorava.
Era uma sensação estranha, mas parecia aliviada.
Sentiu que desejava um abraço, um aconchego, calor humano.
Sua pele estava quente. Seu coração parecia derreter.
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