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Teresa
Cristina Cerqueira de Sousa
Piracuruca
/ PI
Passarinho
na gaiola
Volta-se para a janela de madeira _ larga, sorridente _ os olhos carregados
de tristeza. Ainda tem resquícios de datas risonhas. Nem todas
as horas de sua vida foram como as de agora. Espaça o olhar.
Há, ali, bem à sua frente, uma faveira tão antiga
quanto o tempo (...).Os galhos abarcam a céu azul; as pequenas
folhas encolmeiam-se neles: envereda a apreciar o tom verde. E sonha,
sonha com os pássaros nos ninhos; levando os olhos na largura
da árvore. O tronco serviria de casinha se pudesse sair dali
e caminhar nele.
Não entende o que lhe dizem. As palavras vêm de longe,
muito longe. Talvez uma ventania de lembranças o tenha deixado
assim: A alma de pé, assanhada, em revolta. Sente-se solitário.
Suspira. Imagens do vento ao largo do peito o assaltam. Quer fugir.
Ergue o corpo _ cansado! Num gesto errante, abre os braços.
O corpo pesa.
Uns grandes dedos mexem em sua água. Há um desejo de
guerra. Apenas deita os olhos! Perde a vontade de ouvir e baixa o
corpo. Murmura: "Ó Deus!"... Costuma ver aquele homem
risonho, de assobio feliz, nas mãos seu alimento. Exatamente
naquela hora em que o sol brinca nos galhos da árvore antiga,
deixando mistérios no ar. Respira o suave perfume da tarde.
Guarda ainda no armário da memória a cor das flores
que nem cheiram, mas as pétalas nunca tinham lhe parecido tão
aromáticas como agora - já não pode admirá-las!
Parece impossível que lhe peça para cantar. Ele cantaria
preso numa gaiola depois de haver voado pelo céu azul- livre?
O homem lhe sorri... Os olhos brilham... Sugerem! _ tornam-se meninos,
fazem-lhe festa _ Ele gesticula palavras amigas.
A gaiola balança-se no ar presa ao fio que a suspende. Dentro,
o curió empina o peito, afina o bico para o céu alaranjado
na tarde. E canta; grande, em assobios, em versos; espantando a tristeza
da alma.
Nos olhos, porém, o brilho é de vontade de voar...
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