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Nísia Maria de Sousa Cordeiro
Natal / RN

     
 
PUBLICAÇÕES
 

Aos 24 dias do mês de setembro do ano de 1960 na cidade de Natal, capital do RN, nasceu uma menina. A quarta filha do casal Natanael Paulino de Sousa e Isaura gomes de Sousa. Seu pai, fã incondicional da poeta, mundialmente famosa "Nísia Floresta", deu-lhe o mesmo nome e, para agradar também sua esposa, adicionou Maria, surgindo assim, Nísia Maria de Sousa Cordeiro, sendo o último sobrenome adquirido pelo matrimônio. Mãe de quatro filhos: Anna Gabriella, Carlos Magno, Marcos Vinícius e Isabella Patrícia, Nísia trabalha há 26 anos na educação pública do estado do RN. Tendo ingressado nas milícias da EMATER, empresa de Extensão Rural, este ano como parte da realização de um sonho. Publicou em 1989, com incentivo do Senador Carlos Alberto (in memorian), o livro de poesias intitulado: Eu a amo, esperança! A partir daí não registrou mais seus escritos, dedicando-se à família e ao trabalho. Há algum tempo voltou às suas atividades como "escritora" de crônicas e expressões poéticas. Tem na CBJE um de seus maiores incentivadores para continuar escrevendo, entre pessoas de seu círculo de amizades e pessoas especiais que muito a inspiram e fazem nascer seus trabalhos.

nisia_poesia@yahoo.com.br

Nísia tem diversas crônicas publicadas na série "Novos Talentos da Crônica Brasileira" - CBJE

O poema "Pulsar", de Nísia Maria, vou escolhido como um dos 100 melhores de 2006, sendo incluído no Panorama Literário Brasileiro - Edição 2006/2007






 

 

 

Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea- Edição 2006

Madrugada

Na madrugada de um dia que se foi tristemente
Pobre alma em desalinho, chorando se aquieta
Quer sentir carinho, para acalmar a dor que sente
Mas o desprezo é mais uma dor que lhe afeta.

Não consegue suster seu próprio ninho
Vai errante e na sarjeta segue perdida
Queria tão pouco, apenas carinho
Mas é muito para sua miserável vida.

É madrugada de um dia que amanhece,
Há esperança em seu coração sofrido
E na ânsia de uma amizade desfalece.

Quer resistir, desistir... é tempo perdido
Não pode, resiste, não consegue
E se humilha em vão rasgo de amor ferido!

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol. 26

Mar dourado


Tenho o mar dourado...
Em minh’alma impregnado
Porque tenho você
Minha ânsia, meu viver.

Tenho o mar dourado,
Tenho o amor consagrado,
Tenho o direito de sentir,
A felicidade fluir.

Tenho o mar dourado...
Meu ninho abençoado,
Minha esperança querida...

Tenho o mar dourado...
Meu eterno namorado,
Minha força contra a ferida!

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol. 27

Vestes púrpuras


há emoção em cada rabisco
na cinza enfumaçada da lembrança,
no contorno agreste do aprisco,
na angústia suave da esperança!

e, a emoção sentida, abalroa a mente
e cospe seu fel amargo e verdilento...
e atravessa a dor que alhures sente...
e dá forma etérea ao rosto macilento...

cumpre que a emoção se perde aflita
e jaz soturna entre lágrimas tardias
sob o véu da fé na oração contrita.

e se veste de púrpura suas alegrias,
num estertor vazio de vida maldita,
abraça o perdão entre as chamas frias...

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol. 28

Amor... amor... amor...

O sentimento que reside em minha alma
me leva ao deleite de uma nova oportunidade
é suave... doce... me acalma!
Ah! Ter você é minha melhor realidade!

Caminhar pelas nuvens e a brisa sentir,
suavemente meu rosto acariciar
é sentir você em meu peito a fluir
é maravilhoso eu, a você, amar.

Navegante a ermo sofrida
somente em teu aconchego envolvente
encontro o bálsamo da ferida...
 
Você é meu, eu sou sua, amor latente
que na bruma do mar está perdida
precisa de seu abraço, de sua vertente...

Amor... amor... amor...

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol. 29

Rompimento

Solidão, companhia de mim...
Arrasta-me ao seu colo marmóreo,
No espaço restrito do fim,
No recomeço de si, no fazer corpóreo.

Trânsito inquieto no fruto salutar,
A esperança tardia na ausência...
É doce morrer de amar, somente amar,
É acre viver na desilusão da consciência.

Os caminhos tortos, indecisos...
Arrastam, assoreiam, escorrem
Na lâmina sangrenta dos rios.

Na bruma espumante dos mares,
Vertendo nas lágrimas dos que sofrem:
Como se desmancham os lares...

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Antologia "Os mais belos Poemas de Amor" - Edição 2006

Pulsar...

Quanto pesa a dor?
Que sufoca e machuca a alma
E rompe o sentimento de amor,
Dilacera o peito e me acalma!

Acalma? Paradoxo cruel
No mar revolto do sonho extinto,
Mascarado à tinta, sob o pincel,
Pincel do amor, artífice do semblante faminto!

Oh! Peito inflado, inchado, dorido
Aflito... geme, chora, soluça,
Transtornado pelo algoz ferido.

Quem é o algoz dessa luta convulsa,
Vã na integridade do ardor sentido...
Oh! Pobre coração que apenas pulsa...!

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol. 30

Universos paralelos

Eu não quero a essência da verdade
Porque ela assusta, me faz temer,
Pela ousadia de sua realidade...
Pelo simples medo de sofrer.

Universo paralelo que na confusão de almas
Corrompe o espírito e difama o soluço,
E sopra com fúria suas vestes alvas,
E deixa na paixão um choro convulso!

Oh! Universo paralelo que jamais se encontra
Vidas contínuas, regadas ao tempo...
Não pode existir... visto que é afronta,

Não pode sonhar e vai triste ao relento,
Relento de sua dor que não espanta...
Apenas sucumbe em inaudível lamento.

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol. 31

Meu jardim

Tenho meu jardim e nele estou imersa...
Finalmente, em minha vida o meu jardim!
Estou vagando entre as flores, estou liberta,
Sentindo o aroma que exalam, só pra mim.

Não há lágrimas, acredite... não poderia
Um sorriso permanente se estampa na face
Há uma sensação profunda de extrema fantasia
Entre as rubras rosas e o “branco” num enlace.

Um enlace de corpos e almas que se consomem
E se vestem de cores e sabores peculiares à vida
E no horizonte deste jardim aos poucos somem.

Há mistério nesse caminho que surge e instiga
Uma profusão de sonhos que se entrelaçam
Nefelibatas somos na existência que nos abriga.

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