Antologia
de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 28

Chuva
A chuva
Que surra
Meu rosto
Faz-me lembrar
Quando brincava
Em suas poças
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Antologia de
Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 29

Maturidade
Mãos
trêmulas
Cansadas
Com seu chapéu de palha
Sentado em sua cadeira
Olhando a estrada
Na varanda de sua estada
Lembrando tempos passados
Época das namoradas
Dias cheios de trabalho
Sem tempo para nada
Agora lhe resta
Sua amiga cadeira
O cachimbo de madeira
Com suas histórias
Bem contadas
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Antologia de
Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 30

Epitáfio
Por
amor à amada,
deixo as boas lembranças
e este amor, enfim, dividido.
Por amor à Terra,
entrego-me ao seu bel-prazer.
Por amor ao céu,
agora posso voar,
deslizar sobre suas nuvens,
enfim,
estar entre as estrelas!
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Antologia de
Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 31

Sonhos
Transbordam
Afogam-me
Em lágrimas
Que traçam
Meu rosto
Formando desenhos
Desconexos
Sem sentido
Misturados ao suor
Do corpo cansado
Deixando encharcadas
As vestes da minh’alma
Nas profundezas
Do sonho
Angustiante
Onde
Acordei
Sem
Fôlego
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Antologia de
Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 32

Visão
Hoje
fui capaz
de ver seus olhos
além da imaginação!
Eram tão reais...
que meu coração
clamava de joelhos
para que se aproximassem.
O peito palpitava,
Respirava profundo.
Acordei...
seus olhos nos meus.
Senti
o toque de seus lábios
e percebi que estou vivo...
Além da imaginação,
anseio com intensidade
esta prazerosa
visão!
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"Os
mais belos Poemas de Amor" - Edição 2006

Amar
tanto amar
Eu te
amo
Simplesmente porque te amo
Se te amar fosse morrer
Estaria condenado à morte
E a morte
Levar-me-ia
Assim
Feliz
Pois morreria te amando
Mas se te amar é doença
Sou um incontrolável hipocondríaco
E não quero ter cura
Desta doença maluca:
A doença de te amar.
Mas se para viver
Sem ter o teu amor
Uma imensidão caísse sobre mim
Me restaria apenas
A morte infeliz
E para mim
Morrer sem lutar
E assim findar
Com uma simples frase
Aqui jaz
Aquele que morreu
Por amor a ti!
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Antologia
Poética "Doce Loucura" - Edição 2007

Absinto
Bebo do teu néctar,
entrego-me em teus lábios!
Morro neste (ab)sinto
que degusto em tua boca
e entrego minha alma,
te envolvo na melodia
dos meus braços.
Entrega-me e
Alivia minha dor
no deleite deste amor
e derruba-me
no gole mortal
deste (ab)sinto.
Que mal sinto
em meu corpo ardente
o labirinto de teu corpo.
Estou vivo e...
estou morto!
Mas sinto o teu (ab)sinto
em minha garganta,
Queima a carne
levemente em teu olhar
profundo e profano.
Deixo absorver
a dor saborosa
deste alívio
partir —
pra dentro de ti
e te sinto
num gole de (ab)sinto
de tua saliva —
que nos integra num único ser!
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Antologia de Poemas Dedicados - 2006

Anjo
do Haiti
Tanta tristeza em um olhar,
Pequena carente querendo amar.
Neste deserto de puro rancor,
Lugar que nasce pedra ao invés de flor.
Grande tristeza no pequeno olhar,
Desta menina com tanto pra sonhar...
Um lugar que clama por socorro,
Deus está de olho com o seu arcanjo,
Enviou pra este lugar...
Um pequeno e belo anjo,
Com um coração repleto de amor.
Seu nome, Madali!
Este anjo que contempla tanta dor.
Pequenina e linda criança,
Este anjo do Haiti!
É futuro e esperança,
De todos os sofridos que vivem aqui!
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