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LITERATURA INFANTIL
Programa destinado aos novos autores de Literatura Infantil,
promovido pela CBJE/RJ.


A Literatura Infantil já é uma realidade no mercado editorial brasileiro. Ao lado de escritores já consagrados, já encontramos muitos novos talentos que, dia a dia, conquistam fatias expressivas (e crescentes) deste mercado que está em constante expansão.
Esta primeira incursão da CBJE é uma possibilidade aberta aos autores se identificam com esta forma de expressão literária. Nosso objetivo é permitir que autor avalie a receptividade da sua obra e tome suas decisões a partir das próprias constatações. Para este primeiro volume, sugerimos a produção de textos (dado ao caráter genérico desta antologia) destinados à crianças na faixa dos 7 aos 12 anos.

A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA INFANTIL PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

Percebe-se que as crianças começam a formar sua leitura de mundo e despertar para rabiscos, traços e desenhos desde cedo, conforme as oportunidades que lhes são oferecidas. Se faz necessário, portanto, colocá-las em contato com a leitura e a escrita de maneira prazerosa, despertando o interesse e a atenção, desenvolvendo, a imaginação e a criatividade. Isso se obtém permitindo que elas se coloquem como personagens das histórias, e não como simples "espectadores".
O autor de literatura infantil pode optar por escrever Fábulas, Contos de fada, Lendas ou Poesia.

Fábula é uma narrativa alegórica de uma situação vivida por animais, que referencia uma situação humana e tem por objetivo transmitir a moralidade e o caráter pedagógico que encerram. É oferecido, então, um modelo de comportamento em que o "certo" é para ser copiado e o "errado", evitado. Durante a Idade Média, a importância dada à moralidade era tanta que os copistas escreviam as lições finais das fábulas com letras vermelhas ou douradas para destacar.
Nas fábulas, algumas associações entre animais e características humanas mantiveram-se fixas em várias histórias e permanecem até os dias de hoje. Alguns exemplos:
leão - poder real
lobo - dominação do mais forte
raposa - astúcia e esperteza
cordeiro - ingenuidade

A proposta principal da fábula é a fusão de dois elementos: o lúdico e o pedagógico.
Acredita-se que esse tipo de texto tenha nascido no século XVIII a.C., na Suméria. Há registros de fábulas egípcias e hindus, mas atribui-se à Grécia a criação efetiva desse gênero narrativo, reinventado no Ocidente por Esopo (Séc. V a.C.) e aperfeiçoado, séculos mais tarde, pelo escravo romano Fedro (Séc. I a.C.) que o enriqueceu em estilo. No entanto, coube ao francês Jean La Fontaine (1621/1692) o mérito de lhe dar a forma definitiva, introduzindo-a na literatura ocidental.
Monteiro Lobato dedica um volume de sua produção literária para crianças às fábulas, muitas delas adaptadas de Fontaine. Dessa coletânea, destacam-se os seguintes textos: "A cigarra e a formiga", "A coruja e a águia", "O lobo e o cordeiro", "A galinha dos ovos de ouro" e "A raposa e as uvas".

Os Contos de Fadas caracterizam-se pela presença do elemento "fada". Etimologicamente, a palavra fada vem do latim fatum (destino, fatalidade, oráculo).
Tornaram-se conhecidas como seres fantásticos ou imaginários, de grande beleza, que se apresentavam sob forma de mulher. Dotadas de virtudes e poderes sobrenaturais, interferem na vida dos homens, para auxiliá-los quando já nenhuma solução natural seria possível.
Podem, ainda, encarnar o Mal e apresentarem-se como o avesso da imagem anterior, isto é, como bruxas. Vulgarmente, se diz que fada e bruxa são formas simbólicas da eterna dualidade da mulher, ou da condição feminina.
O enredo básico dos contos de fadas expressa os obstáculos que precisam ser vencidos, como um verdadeiro ritual iniciático, para que o herói alcance sua auto-realização, pelo encontro da princesa, que encarna o ideal a ser alcançado.

Nota: Há registros de que a história de Cinderela já era contada na China, durante o século IX d.C. E, assim como tantas outras, tem-se perpetuado há milênios, atravessando toda a força e a perenidade do folclore dos povos, sobretudo, através da tradição oral.

Estrutura básica dos contos de fadas
Início - nele aparece o herói (ou heroína) e sua dificuldade ou restrição. Problemas vinculados à realidade, como estados de carência, penúria, conflitos, etc., que desequilibram a tranqüilidade inicial;
Ruptura - é quando o herói se desliga de sua vida concreta, sai da proteção e mergulha no completo desconhecido;
Confronto e superação de obstáculos e perigos - busca de soluções no plano da fantasia com a introdução de elementos imaginários;
Restauração - início do processo de descobrir o novo, possibilidades, potencialidades e polaridades opostas;
Desfecho - volta à realidade. União dos opostos, germinação, florescimento, colheita e transcendência.

A lenda é uma narrativa baseada na tradição oral e de caráter maravilhoso, cujo argumento é tirado da tradição de um dado lugar. Sendo assim, relata os acontecimentos numa mistura entre referenciais históricos e imaginários. Um sistema de lendas que tratem de um mesmo tema central constiruem um mito (mais abrangente geograficamente e sem fixação no tempo e no espaço).
A respeito das lendas, registra o folclorista brasileiro Câmara Cascudo no livro Literatura Oral no Brasil: "Iguais em várias partes do mundo, semelhantes há dezenas de séculos, diferem em pormenores, e essa diferenciação caracteriza, sinalando o típico, imobilizando-a num ponto certo da terra. Sem que o documento histórico garanta veracidade, o povo ressuscita o passado, indicando as passagens, mostrando, como referências indiscutíveis para a verificação racionalista, os lugares onde o fato ocorreu."

A lenda tem caráter anônimo e, geralmente, está marcada por um profundo sentimento de fatalidade. Tal sentimento é importante, porque fixa a presença do Destino, aquilo contra o que não se pode lutar e demonstra o pensamento humano dominado pela força do desconhecido. É transmitida e conservada pela tradição oral


A Poesia tem uma configuração distinta dos demais gêneros literários. Sua brevidade, aliada ao potencial simbólico apresentado, transforma a poesia em uma atraente e lúdica forma de contato com o texto literário.
Há poetas que quase brincam com as palavras, de modo a cativar as crianças que ouvem, ou lêem esse tipo de texto. Lidam com toda uma ludicidade verbal, sonora e musical, no jeito como vão juntando as palavras e acabam por tornar a leitura algo muito divertido.
Como recursos para despertar o interesse do pequeno leitor, os autores utilizam-se de rimas bem simples e que usem palavras do cotidiano infantil; um ritmo que apresente certa musicalidade ao texto; repetição, para fixação da idéias, e melhor compreensão dentre outros.



O texto acima contém textos segmentados e adaptados das autoras Cristiane Madanêlo de Oliveira e Adelaide da Rosa Tassi, especialistas em Literatura Infantil.


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