Documentário especialmente produzido para jovens pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores
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1955: Começa a história das Ligas Camponesas

As Ligas Camponesas exigem reforma agrária


Francisco Julião


Alimentação precária: farinha com farinha

"Dr. Julião..." , começou dizendo o camponês enquanto amassava nervosamente o chapéu de palha nas mãos calosas. Francisco Julião olhou o grupo de homens rudes que o cercava em seu gabinete de advogado, no Recife, e considerou a situação. Aqueles homens eram trabalhadores do Engenho Galiléia, em Vitória de Santo Antão, a 50 km da "Veneza Brasileira". Eram "foreiros" e pagavam dias de "condição" ao proprietário. Haviam organizado a Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco. Mas o proprietário, que a princípio apoiara o movimento, queria agora despejá-los do engenho, alegando que aquilo era "comunismo". Os camponeses, liderados por Zezé da Galiléia, pediam a Julião que levasse seu caso para a Justiça. Corria o mês de dezembro de 1954.
Julião, que era também deputado estadual pelo Partido Socialista, solidarizou-se com eles e, a 1º de janeiro de 1955, legalizou a Sociedade fundada pelos "galileus". Começava assim a história das Ligas Camponesas.
Outro deputado socialista, Carlos Luís de Andrade, elaborou um projeto que autorizava a desapropriação do Engenho Galiléia, enquanto Julião lançava uma campanha pela reforma agrária. Em 1958, no Recife, 3.000 trabalhadores rurais reuniram-se no Primeiro Congresso de Foreiros e Pequenos Proprietários. Nesse ano, Cid Sampaio, um usineiro udenista, foi eleito governador de Pernambuco com o apoio dos comunistas. Em fins de 1959, a Assembléia Legislativa aprovou a desapropriação de 500 hectares do Engenho Galiléia e entregou-os aos trabalhadores. No ano seguinte, as Ligas Camponesas já estavam organizadas em 26 municípios pernambucanos e se estendiam pela Paraíba e pelo norte de Alagoas.


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