Regulamentos Como publicar Lançamentos Galeria Contato
Projeto Saber Cordel Edições extras Imprensa Como adquirir

 
Galeria de poetas publicados
 
 

 

Juliana Silva
Brasília / DF

     
 
PUBLICAÇÕES
 

Juliana, sem favor algum, é um dos grandes talentos da Literatura Brasileira Contemporânea. Estuda Direito na Universidade de Brasília e trabalha no Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Tem inúmeros trabalhos publicados nas antologias da CBJE. São poemas, contos e crônicas com temática atual e sentido crítico bastante apurado. Destaca-se, também, a sua delicadeza na poesia romântica, como por exemplo em "Bálsamo" publicado na Edição 2006 de "Os mais belos Poemas de Amor".

juliana_slv_law@yahoo.com.br

 

Clique na capa para ler alguns contos de Juliana Silva, publicados nas Antologias de Contos de Autores Contemporâneos / CBJE

 

O poema "Bálsamo", de Juliana Silva, foi escolhido como um dos 100 melhores do ano, sendo incluído na Edição 2006/2007 do Panorama Literário Brasileiro / CBJE-BrLetras







 

 

 

 

 

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 22

Salaam Aleikum


Era o tempo da paz romana
César distribuía circo e pão
Era o tempo de uma fé insana
O meio termo entre o sim e o não

Era o tempo de uma paz ibérica
Velejavam naus em profusão
Era o tempo da fé na América
E da fé no ouro que se manchou, então

Era o tempo de uma paz britânica
Disputavam-se libras de coração
Era o tempo de uma fé orgânica
Industrialmente feita em cada corpo são

É o tempo de uma pseudopaz ianque
Na qual litigam a bíblia e o alcorão
É o tempo de uma fé estanque
Nas hemoglobinas sós de um sangue vão

Qual será o tempo da paz de espírito
De partilha fraterna e de cooperação ?
O tempo utópico de um sonho lírico
Em que as pessoas possam ser quem são

Qual será o tempo da paz sincera
De distribuição sem máscaras de idéias sãs ?
A esperança de uma nova era
O fim da conspiração das alegrias vãs

---

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 23

Nas teias da corrupção

A fome de muitos enche a mesa de poucos
Entre bolsos vazios, estão malas tão cheias
Da ganância que sempre corrói os loucos
E da corrupção, seus nós e suas teias

A miséria de muitos é a mesada de poucos
Que se mistura a sangue, lágrimas e suor
E faz a esperança dar soluços sempre roucos
Enquanto dorme a utopia de um mundo bem melhor

Ser corrupto é querer ter em hipertrofia
E cultivar ao máximo o egoísmo
E se encher de tudo o que esvazia

Ser corrupto é trocar o meio pelo fim
E se mascarar com a face do cinismo
Entre as lúgubres teias que ligam o não ao sim

---

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 24

Ontologia das emoções internas

Sou uma folha que cai sem rumo
Levada pelos ventos intrépidos do outono
Não sei corro, se grito ou sumo
Acordando os anjos durante o sono


Sou um ínfimo floco de neve
Que cai em cada vão inverno
Anunciando uma tristeza leve
Aveludada de sofrimento interno

Sou uma pétala que se esvai das flores
Mais introspectivas e insípidas da primavera
Essa estação que tanto enfeitiça as cores
Sussurrando música , sem ser sincera

Sou, enfim, uma gota pesada de chuva
Que cai torrencialmente em qualquer verão
Desprotegida e frágil como mão sem luva
Em meio as indeléveis lágrimas que um dia vão

---

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 25

Dúvidas no precipício

De que adianta querer ser vorazmente perfeito
E se enquadrar em cada padrão repetido
E mostrar só qualidades, escondendo o defeito
De não sermos quem nós temos sido?

De que adianta ter sempre mais e bastante
E ser vazio e se confundir com o lixo
Em meio ao caos do luxo triunfante
Como animal que não encontra seu nicho?

De que adianta supervalorizar a carne e o osso
Se, no fim, o corpo tão altivo apodrece
Naufragando a alma no mais lúgubre posso
Enquanto o espírito pede, no futuro, uma prece?

De que adianta querer  trair a  si mesmo
E se apaixonar loucamente pelo dinheiro e poder
Sem discernir pesadelos de qualquer sonho a esmo
E se olhar sempre no espelho sem se conhecer?

De que adianta  consumir tudo e todos
E ser consumido por um vácuo mental
Deste universo cheio de poeira e de lodos
Enquanto o bem fica brigando com o mal?

De que adianta, enfim, brincar com as palavras
Sem concretizar qualquer sã mudança
Neste mundo que padece de doenças macabras
Neste mundo adulto que nem foi criança?

---

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 28

Vamos reciclar!

Quando o assunto é meio ambiente
Aparecem mais de mil previsões:
- Terra tão quente.
- Água escassa.
- Fogo em clarões.
- Ar em fumaça.
- Oh, pobre mundo rico !

Mas há quem diga:
Não, minha gente,
Prudência ainda não
entrou em extinção.
É possível preservar
a natureza que é alvo
de desperdício e exploração.

Vamos reciclar a nossa mente
Tornar a nossa vida mais prudente
Vamos reciclar nossos valores
Pintar o mundo com novas cores

O que será de nós com ambiente
Cheio de contaminação ?
A espécie humana se condena
E se engana e se envenena
Depredando a própria habitação.

Nossos pais, que vida já tiveram ?
Nós mesmos, que vida nós temos ?
E nossos filhos, que vida terão ?

---

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 29

Questionário metafísico

Mergulhaste nas aspirações humanas
E se afogaste, pasmo, nos devaneios vis ?
Andavas, ao acaso, em ilusões tão planas
Que não viste o vento como o tempo quis ?

Procuraste a chave da felicidade
Ainda que a alegria não tivesse porta ?
Escondeste, um dia, tua própria idade
Entre a cruz tão viva e a luz tão morta ?

Torceste, frenético, por teus ídolos imortais
Como se eles não fossem só de carne e osso ?
Ou, então, quiseste ser uma estrela a mais 
A ser, um dia, despejada no buraco insosso ?

Como enfrentaste a escuridão das horas
Em meio ao labirinto de teus sentimentos ?
Por acaso, compraste emoções e auroras
Nas promoções das lojas de departamentos ?

Perguntaste, um dia, por que vieste ao mundo
E por que te condenaram à existência ?
Por que tu rias se, no âmago mais profundo, 
Choravas, refém, por dentro da aparência ?

Por onde andavas, enquanto teu espírito clamava
Por amor sublime e um sentido à vida ?
Ainda não tinhas enfrentado a tristeza brava
Que fulmina no sonho qualquer vã saída ? 

---

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 30


Cronômetro

Um dia se perde em meio às perdas das horas
Enquanto os minutos se dissipam com o vento
Enquanto os segundos correm, sem demoras
O mundo te rouba o sentido e o sentimento 

Uma noite se perde em meio às perdas das horas
Enquanto os minutos embotam teus sonhos
Enquanto os segundos blasfemam, tu choras
Correndo sempre de ponteiros medonhos

Ah, se tua alma, ao menos, cronometrasse
O tempo perdido em cada insano deleite
E o tempo sofrido em cada hora de impasse
Teu destino não seria este frívolo enfeite

E se teu coração, ao menos, cronometrasse
Os minutos de dor em cada amor sem resposta
E os minutos, sem cor, de cada sonho que nasce
Talvez não perdesses a vida na mais vã aposta

E teu espírito, de fato, não esperou que o tempo
Voasse, tão célere, em busca de um fim
  Que acalmasse apenas os  furacões de momento
Furacões que entristecem tua mente, assim 

Tampouco tinhas alguma vaga noção
 Que, um dia, o tempo te transformasse em mim 
Revelando emoções, assim, como são
Os menores trechos da alma onde começam teu fim

---

Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea - Edição 2006

Pacta sunt servanda

Todos contratam com a vida pelo menos um dia
Um dia de paz, um dia de glória
Uma casa no sítio, uma alegria simplória
Ou, até mesmo, uma emoção vazia

Todos contratam com a vida pelo menos um sonho
Uns querem amor, outros querem poder
Há os que pretendem fugir de um mundo medonho
Há os que se perdem no labirinto do ter

Porém a vida oferece apenas contratos de adesão
Não se discutem cláusulas de rancor nem de fé
E até o último respiro ou batida no coração
A vida, credora vã, exigirá prestações quaisquer

Ao nascer, cada qual assina do óbito o atestado
Sem saber assinar, sem nem saber que assinou
Um contrato com a própria vida pedindo adiantado
Algum momento alegre, dias repletos de amor

Sim, a vida permite sorrir, correr, chorar
Ver as estrelas do céu, as ondas do mar
O colorido intenso de um escarcéu de flores
O azul imenso e intrínseco aos sutis amores

Em compensação, a vida avença e exige tudo
Sem qualquer paciência com os inadimplentes
Faz penhor dos risos vãos, hipoteca dos dementes
Cobra letras e palavras de cada sentimento mudo

Assim, o dia chega em que a vida cobra com juros
Todas as parcelas vencidas e vincendas de apuros
Mais o montante de risos e sentimentos sortidos
A fim de que todas as dívidas se liquidem
A fim de que os pactos sejam mantidos

---

Antologia Poética "Os Donos da Vida" - Edição 2006

O velho destino dos anjos

Na vida, entre altos e baixos, eu caí
Tentando achar um caminho reto e sem fim
De mil maneiras e formas, eu vivi
Negando o que ventos e fatos trouxeram pra mim

Agora não dá mais pra voltar atrás
Sem seguir...
O velho destino dos anjos
De amar e morrer por amor
O velho destino dos anjos
De concretizar um sonho
Que ninguém jamais realizou

Na vida, entre a cruz e a espada. eu chorei
Querendo tudo o que nada pôde oferecer
Tentando acertar com sucesso, eu errei
E de nada mais adianta viver sem você

Agora, não dá mais pra viver em paz sem seguir...
O velho destino dos anjos
De amar e morrer por amor
O velho destino dos anjos
De concretizar um sonho
Que ninguém jamais realizou

Mas que velho destino é este?
De amar e morrer por amor
Confiando sempre em que neste
Tempo há suficiente dor
Acredito que a chama da paz
Possa sempre trazer calor
Da mesma forma que sonhos tão puros
Podem transformar quem eu sou.

---

Antologia "Os mais belos Poemas de Amor" - Edição 2006

Bálsamo

Seus olhos seus imensos oceanos
E neles quero sempre navegar
Já venho traçando tantos planos
Pois sei que o amor é como o mar

Um mar das maiores incertezas
Um mar das melhores ilusões
Lídima pérola entre as riquezas
Bálsamo aquecido nos vulcões

Seus olhos são céus em polvorosa
E neles como pássaro voarei
Buscando sonhar em verso e prosa
Pois sei que o amor é como um rei

Um rei que nunca perde o trono
Um rei que domina sem cessar
Indelével bálsamo sem dono
Enigma flutuando sobre o mar

E sempre que paro um pouco e penso
Em um motivo pra todo dia acordar
Só vejo o amor num céu imenso
Ainda que eu não saiba onde ele está

Pois mergulhando nos seus olhos perco o senso
Como se alma, enfim, vagasse em seu luar
E se o amor for mesmo mar de azul intenso
Não me socorra, por favor, deixe-me afogar.

---

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 31

A fortiori

Leio no ardor de teu semblante
Expressões intensas de amor retido
E com mais razão, em todo instante,
Vejo em teus olhos um paraíso proibido
De tantas coisas simples e tão belas
Que nem sei contá-las ou descrevê-las
Usando letras trêmulas e tão singelas
Das palavras transfiguradas em estrelas
Que rasgam céus, pulam janelas
E dançam, incautas, ao som dos tempos...

Meu amor, eu nem sequer conheço
Um terço de todo o espaço do coração
Mas sei dizer as coisas que não têm preço
Sei voar nos ventos que sempre vão
Levando esperança de sul a norte
Como se fosse possível dizer, então
Que no interregno entre vida e morte
Sempre existe sorte plantada em chão
Dos sonhos que o tempo rega
Sem quaisquer dolos de colisão
Com princípios que o destino nega
No vago termo entre o sim e o não...

Sim, meu amor, talvez eu nem conheça
A sombra avessa da solidão
E com mais razão, quiçá eu não mereça
Nem um átimo de tua atenção
Mas lendo em teus lábios esta enxurrada
De vagos versos em profusão
Sinto-me, assim, um tanto condenada
A decifrar em meu coração
Um mapa cujos trechos levem
A encontrar uma mina de verdadeiro ardor
Na qual todos os versos bebem
Em cálices de sonhos o melhor licor
Pois, no fim de tudo, o que vale a pena
Nesta vida, às vezes, já tão sem cor
É o êxtase de cada emoção amena
E com mais razão, o mais sublime amor.