Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos
- Vol. 18

(sem título)
Novos dias, novas surpresas???
Não, velhas certezas e ações!
Lixo nas ruas, miséria no mundo...
Cachorros vagabundos cambaleando sobre o chão.
Material reciclado sendo transformado,
Riqueza, luxo, pobreza, indignidade...
O mundo é uma contradição!!
Homens tratados como animais,
Animais tratados como reis,
Crianças nas filas de espera dos hospitais,
Cidadãos presos em suas casas
Soltos nas ruas os fora da lei.
A mentira virou absoluta verdade
A verdade pode ser relativa mentira
Honestidade é defeito,
Ser “esperto” é estar na moda!!
O político é agora mero espelho
Do povo que corrupto é.
Que se vende por míseros trocados e reles favores.
Pobres mortais!!!!
Vencer a qualquer custo, é o lema dos humanos
Que já perderam toda sua dignidade e sua própria humanidade,
Pois agora agem como autômatos.
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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos
- Vol. 21

Ode a proteção
de Vênus
Enquanto as horas passam penso no tempo, sinto o vento...
penso em você.
O frescor da brisa evoca o balançar das ondas, o incerto,
o inesperado, o arfar do peito... o coração.
Vejo-me no precipício, sinto-me com asas...
Mergulho no tempo, caio nas águas, morro para o mundo,
renasço só para mim.
Balbucio palavras sem nexo.
Estou tomada pela paixão, pelo torpor, pelo ardor...
Pela sensação que um dia já senti.
Sinto-me viva, mas impotente, clamo a Vênus que me ouça
e impeça que me atormente a fatalidade de não ter o seu
amor.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 22

Mágoa
Rompeu-se o elo, quebrou-se a corrente.
Perderam-se no tempo todas as lembranças.
Dói meu coração já nostálgico.
De tua doce e alegre companhia.
Melhor do que hoje,
o passado foi.
Vazia e profunda está minh’alma.
Agonizante, perdida, sofrida.
Então varrida pelo vento da desilusão.
Indignação,
desrespeito, revolta!
Tantos sentimentos ferem minha mente.
Que já não posso mais curá-la.
Pois nunca serei, o que um dia fui.
Sentimentos são
o alimento da ventura ou desventura?
Como pude eu ser cativa sua?
Fui pelo doce e efêmero amor nascido.
Mas que de verdadeiro e forte nada tinha.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 23

Ideologia
O tempo passa, quando todo o incontroverso surge em nossa
[ mente.
Quando se dilatam nossos poros, tem-se em mente algo que nos inflama,
algo que emana ira, revolta, dor e indignação.
Dois milhões de vidas, pagam por apenas duas mil?
É tão ilógico o lógico da vã filosofia
de alguma ideologia
[ dominante por aí...
O tempo passa, a miséria corre a solta, presa entre grades, num
profundo e frio calabouço: a fartura.
Tantas almas famintas do material, e do imaterial ninguém
[ lembra?
O vento uiva entre os vidros, uivam por aí seres humanos como
lobos, míseros e com passos trôpegos de cansaço,
de
[ fome, rondam nossas casas...
Saímos a sua caça, queremos banir seus gemidos, que nos
incomodam porque somos egoístas e medíocres.
O tempo passa e a desigualdade cavalga a passos largos
[ sobre as costas de um meteoro...
Nos conformamos com nossa realidade, nosso lixo está cheio de
supérfluos, o básico é básico e ninguém
compra...deixemos pra eles míseros e fétidos mortais,
como dizem por aí?
Ah! sim, a escória humana.
O tempo passa e só não passa a demora disso um dia mudar...
Quando veremos os incomodados sendo o incômodo, a minoria sendo
maioria; um dia hão de experimentar o próprio veneno de
sua extinta vã filosofia de uma ideologia
[ que foi pregada e dominante.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 26

Idéias
loucas
Se
tu não me amas pelos meus defeitos
Ama-me então pelo fato de ser perfeitamente imperfeita.
Ama minha letra
minhas risadas soltas
minha originalidade
meus dentes
minha mente
minhas idéias loucas.
Ama-me pelo fato de apenas te querer mesmo sendo imperfeitamente [perfeito.
Pois amo teu exigir
teu amuar
teu teimar
teu dominar
teu machismo
teu jeito de ser.
Te desejo sem de ti exigir perfeição, pois pra mim tu
és único.
Te quero amar assim, simplesmente assim, porque és inexplicavelmente,
perfeitamente imperfeito para mim.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 28

Lamento
Lágrimas
de minh’alma,
Ferem meu rosto.
Dói dentro de mim
A sombra de tua perda.
Como posso sentir calma,
Se dentro de mim ondas de dúvida
Balançam meu coração
E minha emoção é quase insana?
Queria convencer-te a me amar
Queria que sentisses o que sinto
Admiração é sentimento tão profundo
Que me leva a delirar.
Meus dias são incertos,
Meu sono: pesadelos.
Paz já não existe
Porque em mim persiste dor do teu deixar.
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"Os
mais belos Poemas de Amor" - Edição 2006

Porto
Alegre
Saudades
de você!
Dos idealizados beijos,
Dos imaginários abraços,
Do encontro almejado
Que parece irreal.
Saudades de nossas risadas,
Das confidências mútuas,
Das palavras ditas,
Sinceramente trocadas.
Saudades do primeiro contato:
Obra do puro acaso,
da imprevista coincidência
de um sobrenome em comum.
Porventura, pode-se ter saudades,
De alguém nunca visto?
Sentido?
Tocado?
Há um calor em meu peito,
fruto de um poderoso encanto
forte e ligeiro
que a vida nos proporcionou:
O amor.
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Antologia
Poética "Doce Loucura" - Edição 2007

Burra
inteligência
No paralelo da vida, correm vidas atravessadas.
Pontes andam caídas, vidraças quebradas...
Palavras perdidas, ditas por dizer... são meramente palavras
vociferadas, cuspidas com saliva, sem nenhuma pretensão maior,
senão a de nos ver padecer.
A hipocrisia dá gargalhadas, línguas destilam o veneno
da cobiça e interesse.
Olho pelo muro como mera espectadora e vejo com prazer
o caçador virando caça.
Pois quem caçoa agora sou eu, do seu ridículo comportamento
de
borra-botas, de medíocre escravo da fraqueza humana.
Olho de novo e vejo teu sangue ambicioso e usurpador
escorrer pelos bueiros
E junto com ele toda tua farsa e burra inteligência.
Adeus a um “esperto” e perfeito idiota,
quem mandou subestimar a caça!
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