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José Heber de Souza Aguiar
Porto Alegre / RS

     
 
PUBLICAÇÕES
 

José Heber de Souza Aguiar, 23 anos, define-se como "Paranhense!", por haver nascido em Itinga, interior do estado do Maranhão, mas ser "adotado" pelo Pará (Uruará), logo criança. Vive no Rio Grande do Sul (Canoas e Porto Alegre) desde janeiro de 2005. É estudante de Teologia no UNILASALLE, de Canoas. Nessa cidade, faz parte de grupos de escritores e poetas.

 


Contatos pelo email:
heberaguiar@yahoo.com.br

 





 

Poesia Brasileira para um Mundo Melhor - Edição 2007

Corpos

Museu, museus...
Servem para quê?
Não são já eles próprios quinquilharias
abandonadas
dispostas a afagar o viço
de seres humanos com fome de eternidade?

Não é já nosso corpo
um museu vivo
repleto de peças raras,
consciências peranbulantes...
Peregrino dos chás e dos cremes,
das Lipo-dores,
emendaduras,
maltratos loucos,
roucos
envergaduras,
de um querer ser-se
a própria fonte de infinitude?:
Sadomasoquismo Viçal.

Viço, viços
vícios
de eternar-se
racionar-se
alimentar-se
... catarsear-se.

Há racionalidade na dor?
Dor na racionalidade?
Justificativas ao adiar-se,
opor-se ao tempo, ao maltratar-se?

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 36

Março

Mais um março
mais um maço
desses dias-a-dias
de dores nas juntas
e cansaço.

Passo,
empunhando mais um passo
nas ruas das agonias
das loucuras injuriosas
e faço...

março em maço
gestando passos de cansaço:
ingenuamente passo

dias-a-dias de março em cansaço.

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 37

Questão de fé

Gritam os sinos
ouço o desespero do badalo
a pressa dos anjos
a lentidão das horas.

Dispersa-se no tempo
a dúvida, teimosa agonia:
Subir degraus, beijar Maria?
Cuspir orações como escarro.

As almas não animam a hora
nem os santos meu dia...
A reza cansa:
o eco insiste
a dúvida persiste
o santo espera
a vela morre
a chama apaga.

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Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea - Edição 2007

Contra toda solidão

A rosa, escancarada grita!
Assustada treme
Geme o medo
Freme
o pudor do pólen que a excita.

Bendita é a voz que chama
pondo-se a estontear a razão
absoluta por querer

derramar-se em paixão...
essa coisa louca, eterna trama.

Feliz é todo coração que ama
e que antes de amar
sabe saber...
esforçar-se por calar
a estupidez da solidão que no vago se derrama.

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