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Literatura Brasileira

Jair Amorim



Jair Amorim (Jair Pedrinha de Carvalho Amorim) - um dos maiores poetas da música popular brasileira - nasceu no dia 18 de julho de 1915, em Santa Leopoldina (ES). Cursou o ginásio em Petrópolis (RJ) e aos 13 anos já escrevia alguns versos em português para músicas estrangeiras. Quando completou 15, perdeu o pai e foi forçado a largar os estudos. Foi trabalhar no Diário da Manhã, de Vitória (ES), fazendo de tudo um pouco – de revisor e crítico de teatro e cinema a cronista social. Em 1940, dirigiu a Rádio Clube do Espírito Santo, produzindo diversos programas e atuando como locutor. Foi por essa ocasião que começou a escrever letras para os blocos de carnaval da cidade. Um ano depois, mudou-se para o Rio, onde trabalhou como cronista de rádio para revistas como Carioca e Vamos Ler. Mais tarde, foi contratado pela Rádio Clube do Brasil (depois Mundial), onde aproximou-se do compositor e pianista José Maria de Abreu, que acabara de perder Francisco Mattoso, seu fiel parceiro. Depois que o cantor Arnaldo Amaral gravou sua primeira letra, uma versão para "Maria Elena", do mexicano Lorenzo Barcelata, José Maria e Jair iniciaram a parceria: "Bem Sei" (42). Seria a primeira de uma série de clássicos da MPB, como "Um Cantinho e Você" (48), "Ponto Final" (49) e "Alguém como Tu" (52) – todas do repertório de Dick Farney. Entre 48 e 52, revezou-se entre as Rádios Mundial e Mayrink Veiga. Em 1956, compôs com o sambista Dunga o samba-canção "Conceição", maior sucesso do cantor Cauby Peixoto. No ano seguinte, compôs outro com Alcyr Pires Vermelho, "Se Alguém Telefonar", grande êxito na voz de Lana Bittencourt.

Como secretário e diretor da UBC – União Brasileira de Compositores – conheceu Evaldo Gouveia em 58. Naquele dia, compuseram a primeira de uma lista de 150 composições (na maioria sambas-canções abolerados). Era o samba-canção "Conversa", gravada por Alaíde Costa em 1959, no primeiro LP da cantora. No ano seguinte, viria o primeiro grande sucesso da dupla Jair & Evaldo, "Alguém Me Disse", gravada por Anísio Silva. Em 1962, Miltinho fez sucesso com "Poema do Olhar" e Morgana com "E a Vida Continua", regravada com sucesso por Agnaldo Rayol. Em 63, Altemar Dutra foi içado ao sucesso justamente com uma composição da dupla, "Tudo de Mim". A partir daí, passou a ser seu intérprete mais constante, colecionando sucessos como os sambas-canções/boleros "Que Queres Tu de Mim", "Somos Iguais", "Sentimental Demais", "Brigas", "Serenata da Chuva" e as marchas-rancho "O Trovador" e "Bloco da Solidão". Moacyr Franco também vendeu muitos discos com o bolero "Ninguém Chora por Mim", em 62, bem como Cauby Peixoto com "Ave Maria dos Namorados", em 63, lançada por Anísio Silva pouco antes. Outros que fizeram sucesso com suas músicas foram Wilson Simonal, que gravou a bossa nova "Garota Moderna" em seu LP de 1965, Jair Rodrigues, com o samba "O Conde", em 1969, a escola de samba Portela que obteve êxito com o samba-enredo "O Mundo Melhor de Pixinguinha", em 1973 e Ângela Maria, que entre outras, lançou o "Tango para Teresa" dois anos depois. Outros intérpretes que gravaram a dupla Evaldo Gouveia & Jair Amorim foram Maysa, Dalva de Oliveira, Gal Costa, Maria Bethânia, Zizi Possi, Emílio Santiago, o espanhol Julio Iglesias. Mais recentemente, Cris Braun releu "Brigas", em 1998, e Ana Carolina, "Alguém Me Disse", em 99, mesmo ano em que Milton Nascimento regravou "Se Alguém Telefonar". Em 2000, Simone repescou "Sentimental Demais" e "Que Queres Tu de Mim", e Fafá de Belém, "Ninguém Chora por Mim".

Jair faleceu no dia 15 de outubro de 1993, aos 78 anos. Grande parte de sua vida foi dedicada à música. Foram momentos intensos de criação. E foi assim que ele nos presenteou com belas canções, que se tornaram verdadeiros clássicos da Música Popular Brasileira.

ALGUNS SUCESSOS DE JAIR AMORIM

Obras: Alguém como tu (c/José Maria de Abreu), samba, 1952; Alguém me disse (c/Evaldo Gouveia), bolero, 1960; Aperta-me em teus braços (c/José Maria de Abreu), bolero, 1953; Baião das velhas cantigas, 1954; Bloco da solidão (c/Evaldo Gouveia), marcha-rancho, 1971; Brigamos outra vez (c/José Maria de Abreu), fox-canção, 1946; Cantiga de quem está só (c/Evaldo Gouveia), samba, 1960; Um cantinho e você (c/José Maria de Abreu), samba, 1948; Conceição (c/Dunga), samba, 1956; O conde (c/Evaldo Gouveia), samba, 1969; Garota moderna (c/Evaldo Gouveia), samba, 1965; Maria dos meus pecados (c/Dunga), samba, 1957; O mundo melhor de Pixinguinha (c/Evaldo Gouveia), samba-enredo, 1973; Não me pergunte (c/José Maria de Abreu), samba, 1949; Ninguém chora por mim (c/Evaldo Gouveia), samba, 1960; Poema do olhar (c/Evaldo Gouveia), samba, 1962; Que queres tu de mim (c/Evaldo Gouveia), bolero, 1964; Se alguém telefonar (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1957; Sentimental demais (c/Evaldo Gouveia), bolero, 1964; Serenata da chuva (c/Evaldo Gouveia), samba, 1963; O trovador (c/Evaldo Gouveia), marcha-rancho, 1965.

NAQUELE TEMPO
(Pixinguinha/Benedito Lacerda/Jair Amorim)

Naquele tempo o amor nascia devagar
Na dádiva da flor
Na troca ingênua de um olhar
À noite os violões choravam
Primas e bordões
Sofria o malmequer
Nas mãos nervosas
Ansiosas
De quem fosse perguntar
À pétala final
Se era mesmo amor
Aquele amor doce e fatal
E então nas madrugadas
Do mais lírico luar
Modinhas se espalhavam pelo ar!

Naquele tempo era a graça da
Raça na praça
E um sorriso furtivo, ao passar
E ouvia-se tocar Ernesto Nazareth
Noturnos de Chopin, bem cedo no café
À noite inteira nos saraus
Só se ouvia Strauss
E ainda tinha a cartinha que vinha
E que linha por linha, trazia feliz
Segredos de um amor, perfumes de Paris
Amar era tão bom
Tão bom aquele olhar moleque
Atrás de um leque de crepom

Ai, quem me dera a primavera
Dos meus tempos de rapaz
Lembrança feliz das serenatas que fiz
De tantos anos de paz
E que não voltam jamais
E como dói a saudade da perdida mocidade
Aos sonhos meus triste é dizer
E hoje vivo a repetir
Adeus

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