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Marina
Moreno Leite Gentile
Salvador
/ BA
Conversando
no jardim
No reino animal as aves conversam, nós os humanos
não entendemos, não estamos preparados para tamanha sabedoria.
Mas a pequena Ivie entendia tudo, ela recebeu o dom especial de conversar
com os passarinhos. De manhã Ivie acordava cedinho para escutar
a conversa dos passarinhos, era a sua principal distração.
Ivie sempre permanecia de orelha afiada, prestava atenção
em cada palavra. Aqui vou relatar o que ela me contou a respeito deles.
Se quiser pode contar para os seus amigos e para todas as crianças
do mundo.
Ivie me contou assim....
Em um dia lindíssimo de verão todos os passarinhos se encontravam
em um jardim, crianças brincavam por perto, Ivie só prestava
atenção na conversa deles.
Primeiro falou a “rolinha” (um pequeno pássaro de cor
marrom parecido com pomba).
- Bem-te-vi, pare de cantar! Quero um pouco de silêncio, estou com
fome e nervosa. O Bem-te-vi continuou o seu canto, já estava saciado,
acabara de encontrar a sua refeição.
A rolinha continuou a falar:
- Deste jeito não há condição para viver.
Aqui na cidade desmontam as casas para edificação de prédios.
Ninguém quer saber de quintal, de árvores frutíferas.
Como vamos sobreviver?
- Além de tudo, agora vendem tudo embalado. Nas feiras de antigamente
podíamos nos alimentar com as sobras das sacarias de milho, de
arroz, de farinha. O freguês solicitava a quantidade que desejava
e o feirante pesava as porções . Dizia-se que as mercadorias
eram vendidas a granel. Sempre caia algo dos sacos pelo chão, os
passarinhos ali se nutriam.
Então um passarinho “sanhaço” apareceu, também
quis falar:
- Fiquei sabendo que nos países de inverno intenso, as pessoas
compram alimentos para os pássaros que vivem em liberdade, porque
no inverno as aves não encontram comida. Colocam nas janelas, onde
for possível. Elas colaboram para preservar os pássaros,
são pessoas ecologicamente corretas, sábias. Se estas pessoas
não agissem com esta consciência ecológica, as aves
morreriam famintas, a natureza ficaria comprometida.
O passarinho “pardal” também desejou falar, tocou em
algo muito importante. O pardal é um pássaro desprezado,
mas tem sua sabedoria, é arisco, não é bôbo
não !
- Em alguns lugares do nosso país tem geada, algumas árvores
não dão frutos por algum tempo. Em outros lugares do Brasil
o sol escaldante faz o mesmo efeito. Poucos pensam nas aves em liberdade,
o quanto lutamos para sobreviver. Tem gente que pensa que vida de passarinho
é fácil. Não é não!
O passarinho "sanhaço" continuou a tagarelar:
- Fiquei sabendo que perto daquela praça do Imbui tem uma uruguaia
bondosa, o nome dela é Faustina. Fez filosofia, dança tango,
parece um colibri na elegância. Ela compra ração e
frutas, somente para os passarinhos em liberdade, sem aprisioná-los.
Faustina aprendeu isto lá em Paris, que não é só
a capital da moda, foi lá que ela aprendeu a lição.
Eles frequentam assiduamente o jardim de Faustina, todos cantam pra ela.
De barriguinha cheia é fácil cantar, ninguém consegue
fazer algo faminto, nem voar.
Todos os dias, no horário certinho, Faustina coloca no seu pequeno
jardim uma banda de laranja, banana, mamão e também uma
farinha fininha, do tipo de fazer cuscuz. Ela só não coloca
água por causa do mosquito que pica e causa a dengue, em compensação
frutas tem a vontade.
Disse a rolinha:
- Seria interessante existir mais pessoas assim como a Faustina. Bons
exemplos devem ser seguidos. Dar comida para os pássaros é
ter amor no coração, porque a natureza necessita de preservação,
nós somos natureza também. Famintos, difícil sobreviver
!
Pessoas inteligentes ensinam esta lição para as crianças
desde pequenas, isto também é uma lição de
amor. Façamos isto também !
Depois desta reunião todos os passarinhos ficaram silenciosos,
pensativos. Todos voaram para o jardim de Faustina.
A menina Ivie também saiu do local, foi fazer a lição
de casa, mas antes adentrou na cozinha e falou com a mamãe:
- Mamãe, você vai no supermercado hoje ? Precisamos comprar
algumas coisas para os passarinhos!
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