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Giulia
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Manhãs de Sol Crônica publicada no volume 7 da Antologia Novos Talentos da Crônica Brasileira Antigamente, saía pelas manhãs, pés descalços, caminhando nos campos a colher flores, morangos silvestres, folhas de formatos diferentes, pedrinhas com cores brilhantes.Ia mastigando talos de trevos de três folhas - a folha do de quatro era recolhida e carinhosamente guardada entre as páginas de um livro (até hoje tenho uma delas comigo): amarelados todos, o livro, a folha, as minhas memórias). Hoje ainda saio pelas manhãs: os pés continuam descalços, espio flores, sinto algum aroma, morangos não mais os vejo e as folhas parecem-me tão iguais... Mastigo apenas pensamentos e não mais recolho pedras ou folhas: tão somente as imagens do caminho - ainda são belas, como as nuvens, as flores e os pássaros que cruzam o meu destino. Nesta etapa da jornada ponho-me a recolher raios de sol... aos poucos, pequenas porções de cada vez, vou completando o embornal a tiracolo. Depois de embalados um a um, em fino papel refratário para não perderem a luz, cor e calor, os raios de sol servirão de suporte aos dias nublados e às noites sem fim do ocaso da vida. Os excedentes serão distribuídos gratuitamente àqueles que por aqui passarem e que necessitados estiverem de luz e calor. Junto à cada pacote-presente, um cartão anexado: “recolhidos por pés descalços, contém felicidade, amor, luz e calor que só um raio de sol sabe oferecer sem nada em troca pedir - guarde-o com carinho, um dia servirá para iluminar o seu caminho para dentro de si mesmo.” Giulia
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