Documentário especialmente produzido para jovens pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores
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1958: Brasil, enfim, campeão do mundo

A Copa do Mundo é nossa!!!

"Nos passes de Didi, na habilidade de Pelé, na fúria de Vavá e nos dribles diabólicos de Garrincha, o futebol brasileiro
parece ter superado todos os seus complexos: a infantilidade de 1930, a imaturidade de 34, a inexperiência de 38,
o otimismo exagerado de 50, e os nervos tensos de 54, para impor-se ao mundo
como uma seleção virtuosa, cheia de talentos."
(A História Ilustrada do Futebol Brasileiro)

Didi colocou a bola a poucos passos da grande área, recuou alguns metros, correu sem pressa, tocou com o pé direito e ficou olhando. A bola encobriu a barreira, traçou uma curva no ar e, de repente, mudou de direção...
Com essa folha-seca de Didi, a Seleção Brasileira venceu o Peru por 1 a 0 e se classificou para a V Copa do Mundo. Classificação apertada, pois em Lima havíamos empatado por 1 a 1. Isso foi em 1957. Em fins de maio de 1958, a Seleção embarcou para a Itália, onde disputou alguns amistosos. Em junho, estávamos na Suécia, sede da Copa.


Em pé: Feola, Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar. Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagalo e o preparador físico Paulo Amaral.

Feola teve a coragem de implantar o 4-3-3 na seleção, com Zito, Didi e Zagalo no meio-campo.
Uma geração de grandes craques havia passado. Já não contávamos com Zizinho, Ademir, Danilo, Jair, embora alguns deles ainda jogassem. O técnico Vicente Feola procurou formar uma seleção que combinasse valores novos com quatro veteranos da Copa anterior, na Suíça.
A 8 de junho, o Brasil estreou contra a Áustria, em Udevala, vencendo por 3 a 0, gols de Mazzola (2) e Newton Santos. Mas a formação brasileira ainda não era a ideal. Jogamos com Gilmar, De Sordi, Bellini, Dino, Orlando e Nilton Santos; Joel, Didi, Mazzola, Dida e Zagalo. No jogo seguinte, empatamos (0 a 0) com os ingleses, em Gotemburgo. Foi então que um grupo de jogadores, liderados por Didi e Nilton Santos, exigiu da Comissão Técnica a inclusão de Pelé e Garrincha na terceira partida, contra a União Soviética. Nesse momento ganhamos a Copa.
A 15 de junho, no Estádio Nya Ullevi, em Gotemburbo, em dois minutos Garrincha arrasou a defesa soviética. Com dribles desconcertantes e dois passes da linha de fundo, Mané deixou Vavá na cara do gol: Brasil 2 a 0, diante de um público embasbacado com a magia dos nossos craques. Depois foi a vez do País de Gales, jogo difícil, com os galeses na retranca. Até que explodiu o gênio de Pelé. Numa jogada dentro da pequena área, deu um "chapéu" no zagueiro, deslocou o goleiro colocando a bola no fundo da rede: Brasil 1 a 0.
Veio a semifinal contra a França. Com 2 gols de Vavá, 2 de Pelé e um de Didi, o Brasil venceu por 5 a 2.
A decisão foi no dia 28 de junho, contra a Suécia. Jogando com camisas azuis, pois o uniforme sueco também era amarelo, sofremos o primeiro gol. Mas a serenidade de Didi impediu que entrássemos em pânico. Com a bola debaixo do braço, caminhou lentamente pelo gramado, gritando para os companheiros: "Calma, pessoal! Vamos encher esses gringos!" Poucos minutos depois, Vavá entrou como um furacão na área e... golll!!! Brasil 1 a 0. A partir desse mometno, o jogo transformou-se num verdadeiro show de futebol. O Brasil fez 5 a 2, com gols de Vavá (2), Pelé (2) e Zagalo, sagrando-se pela primeira vez Campeão Mundial. Rendida aos novos deuses do futebol, a imprensa européia, ao escolher uma seleção ideal, incluiu nela oito jogadores brasileiros.

O capitão Bellini, o técnico Feola e o goleiro Gilmar.


Jogadores comemoram, em campo sueco, a conquista da Taça Jules Rimet.


Garrincha, Bellini e Pelé, na edição de O Cruzeiro (12/07/1958)

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