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Crônica publicada no Livro "E lá vem a esperança de novo... " Crônicas - Dezembro de 2011

Maria José Zanini Tauil
Rio de Janeiro / RJ

 

Lágrimas de minha mãe



Tuas lágrimas, minha mãe, serena expressão de sentimentos, são intérpretes fiéis de tua alegria e de tua dor. Elas são movidas mais pelo tormento. Rolam vagarosas pela face enrugada, lágrimas puríssimas, repletas de tristeza. São lágrimas conscientizadas da efemeridade da vida, lágrimas de mártir, de ser tão limitado, mais pela doença que pela idade.
Recolhes com os olhos semiabertos o que resta da vida. Tua voz é sussurro, lamento indecifrável. És ser etéreo,que teve a vida sempre ligada a momentos contraditórios de sorrir e de chorar. Entre as árvores sonolentas do quintal, ainda ouço a lentidão de teus passos, o tic-tac de teus momentos, enquanto teus lábios lentos beijam minha face.
Pela janela aberta, sinto o teu pefume e vejo-te a murmurar uma prece, mão esquerda a apertar uma cruz de madeira. Tudo é passagem entre nascer e morrer. Os ponteiros não descansam. Somos todos sombras entre o sol e o silêncio, folhas inquietas sopradas pelo vento.
Minha estrela de primeira grandeza, minha mãe, que aos poucos se despede da noite que o dia apaga com sua força ofuscante. És um barco perdido no labirinto do tempo, mastro já quebrado sobre as ondas em fúria. O céu beija tua fronte, minha mãe e pousa em teu silêncio e em tua alma.

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