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Maria
José Zanini Tauil
Rio
de Janeiro / RJ
Lágrimas de minha mãe
Tuas lágrimas, minha mãe, serena
expressão de sentimentos, são intérpretes fiéis
de tua alegria e de tua dor. Elas são movidas mais pelo tormento.
Rolam vagarosas pela face enrugada, lágrimas puríssimas,
repletas de tristeza. São lágrimas conscientizadas da
efemeridade da vida, lágrimas de mártir, de ser tão
limitado, mais pela doença que pela idade. Recolhes com os olhos
semiabertos o que resta da vida. Tua voz é sussurro, lamento
indecifrável. És ser etéreo,que teve a vida sempre
ligada a momentos contraditórios de sorrir e de chorar. Entre
as árvores sonolentas do quintal, ainda ouço a lentidão
de teus passos, o tic-tac de teus momentos, enquanto teus lábios
lentos beijam minha face. Pela janela aberta, sinto o teu pefume e vejo-te
a murmurar uma prece, mão esquerda a apertar uma cruz de madeira.
Tudo é passagem entre nascer e morrer. Os ponteiros não
descansam. Somos todos sombras entre o sol e o silêncio, folhas
inquietas sopradas pelo vento. Minha estrela de primeira grandeza, minha
mãe, que aos poucos se despede da noite que o dia apaga com sua
força ofuscante. És um barco perdido no labirinto do tempo,
mastro já quebrado sobre as ondas em fúria. O céu
beija tua fronte, minha mãe e pousa em teu silêncio e em
tua alma.
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