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ENTREVISTAS
Entrevistas exclusivas com autores renomados, publicados nas antologias da CBJE nesses 22 anos de existência. Conheça suas histórias, suas obras e veja seus depoimentos.


Neri França Fornari Bocchese

Quem sou eu
Nasci na pequenina Arvorezinha, incrustada nas colinas do Vale do Taquari. A cidade faz parte do Roteiro Turístico do Rio Grande do Sul, com a beleza e originalidade do Natal do Morro. A Campanha Gaúcha povoa o meu imaginário.
Fui batizada com o nome Neri, homenagem a minha avó materna, de descendência portuguesa, minha mãe se chama Eloá.
Sou neta de Fornari Luigi, da comune de Cappela de'Picenardi e de Goffi Adelaide, vindos de Motta Baluffi, província de Cremona na região da Lombardia, Itália. Meu pai Celestino é um Herói da Segunda Grande Guerra Mundial.
Sou casada com Roque João Bocchese, natural de Antonio Prado, cidade tombada pela originalidade da cultura italiana. Tivemos quatro filhos homens: Roque Eduardo, Fernando, Paulo Evandro e Daniel Celestino, todos eles Engenheiros. Três noras: Genoefa- Pedagoga, Vania- Agrônoma e Franciane- Fisioterapeuta. Na continuidade da Vida fomos presenteados com quatro grandes amores: Giovanna, Gabriel, Victoria, e Gustavo. São eles a beleza e o perfume do nosso Jardim, crianças que continuaram a cultura das famílias Jakiemiu, Catani, Fornari Bocchese.
Sou formada em Geografia com Mestrado em Ciências Sociais Aplicadas. Professora há 42 anos. Lecionei em todos os Níveis Educacionais, desde as salas Multisseriadas a Pós Graduação. Atuo como Professora na UTFPR- Universidade Tecnológica do Paraná, Campus Pato Branco, onde coordeno o Projeto Resgate Histórico.
Sou Franciscana, professa da Fraternidade Frei Galvão e Ministra da Eucaristia. Sócia fundadora do Círculo Italo-Brasileiro de Pato Branco. Membro da Academia Palmense de Letras e fundadora da Academia de Letras e Artes de Pato Branco ocupando a cadeira nº 4 tendo como Patrono Celestino Fornari. Por deferência dos confrades, sou Vice-Presidente. Pertenço ao Rotary Pato Branco Sul - distrito 4640.
Gosto de ler, viajar, passear com meus netos, da sala de aula e do convívio familiar.


Meu interesse pelas Letras
Sempre gostei de escrever. Porém tive sérios problemas de alfabetização e, aos poucos a escola e outros, mataram em mim essa vontade. Quando cursei a antiga Escola Normal, hoje Magistério, entendi e superei os problemas pedagógicos. E, assim comecei outra vez a usar as letras, e com elas formar palavras, como um artista faz com pincel na mão, dar formas ao pensamento. Outro ponto decisivo, me motivou a busca pelas informações e o registro dos fatos, quando comecei a lecionar precisava ensinar a história e a geografia de Pato Branco aos meus alunos, não havia quase nada escrito e, o disponível era contraditório. Em busca de informações a escritora adormecida em mim, aflorou. Escrever se tornou uma necessidade, me traz paz de espírito.

Relação minha vida/minha obra
Elas são extensão do meu viver e da minha atuação profissional. Sou uma professora que produz o conhecimento e, com autoridade consigo afirmar a veracidade dos fatos, ainda explicitar muitos deles.
A História de Pato Branco é peculiar. Uma cidade Nova com bagagem histórica importante foi palco da Revolta dos Colonos e primeira cidadezinha a ter um canal próprio de TV e também o primeiro da Igreja Católica. Fatos interessantes que mostram parte da cultura do Sul do Brasil.

Meus preferidos
Gosto muito dos escritos de Francisco de Assis. De Fritjof Capra, de Humberto Maturana, de Leonardo Boff, de Lya Luft, de Milton Santos . Penso que não se deve prender a um só escritor Seria povoar a mente com uma única linha de pensamento. As poesias de diversos autores alguns consagrados outros nem tanto tenho prazer de ler. Castro Alves, Olavo Bilac, Virgílio.
A minha alma se encanta com muitas poesias de diversos autores que enaltecem o Rio Grande do Sul e o Brasil.

Conheci a CBJE...
... através da Internet. Ter uma poesia publicada em nível Nacional foi um sucesso para quem mora distante do centro literário do País. Foi assim como receber o primeiro cartão do Dia das Mães, confeccionado pelo próprio filho. Emoção re-vivida.

Para quem está começando
Acreditar em si. Superar os obstáculos. Escrever é uma magia. O papel a grande tela, o pincel é o lápis. Para se ter a obra de arte é preciso expressar o que se sente, o que se pensa. Escrever é ter a certeza da eternidade da vida. É produzir conhecimento, uma responsabilidade com a família, a sociedade e com a Pátria.
Escrever é tentar ler o que está escrito nas pedras, escutar o ruído do vento, buscar a beleza do gesto simples. Registrar o trabalho dos pioneiros, eles escreveram a história sem usar o papel e o lápis. Reencontrar o mistério de nós mesmos, das pessoas que viveram ou ainda convivem é se imbuir de desejo amoroso, de conversar com muitos leitores, é ter compromisso com as novas gerações e não deixar morrer o bonito do cotidiano de nossas vidas.
Para poder escrever é preciso ler e muito. Buscar a grandeza da literatura brasileira e internacional. Ler, escrever é também um exercício de cidadania.
Parabéns a todos os que têm coragem de aventurar-se por esse caminho.

Contato:neribocchese@bol.com.br