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ENTREVISTAS
Entrevistas exclusivas com autores renomados, publicados nas antologias da CBJE nesses 21 anos de existência. Conheça suas histórias, suas obras e veja seus depoimentos.


Ândrei Clauhs

Quem sou
Meu nome é Ândrei Clauhs. Nasci em Teófilo Otoni, um município da região nordeste de Minas Gerais e que faz parte do chamado Polígono das Secas.
Atualmente, sou militar de carreira do Exército Brasileiro, e tenho procurado aperfeiçoamento profissional e pessoal em diversas áreas do conhecimento humano. Assim, realizei o mestrado em Aplicações Militares e cursos de especialização em Psicopedagogia, Gerência de Marketing, Relações Públicas, Ciência Política e Estratégia e Bases Geo-Históricas para a Formulação Estratégica, dentre outros cursos igualmente importantes para o desenvolvimento da visão crítica e do senso comum.

A exteriorização de nossa alma gentil
Meu interesse pela literatura surgiu com o despertar do gosto pela leitura, e a grande personagem responsável por essa transformação maravilhosa em minha vida foi uma professora do antigo primário, quando eu tinha cerca de 8 ou 9 anos de idade. Por isso, reputo de fundamental importância a valorização dos professores e da educação como ferramenta indispensável para o aprimoramento do indivíduo e o conseqüente cresimento da Nação brasileira. Com esse pensamento, acredito que escrever é um dom que pode e deve ser desenvolvido nas pessoas; todos somos potencialmente capazes de expressar nossa cultura e nosso ser interior. O que acontece é que somos pessoas diferentes, e cada um revela a presença de Deus em seu íntimo de variadas formas. Daí surge a arte, ou seja, a exteriorização de nossa alma gentil e evolutiva sob a forma de contos, poesias, dança, música, esportes, números e letras, dentre outras.
Sob essa ótica, ao escrever, por exemplo, um autor desvenda seu eu interior – é o “conhece a ti mesmo” – além de influenciar o mundo com suas boas idéias, dando prosseguimento à cultura, à chama que muito diferencia seres humanos de muitos animais irracionais. Nesse ponto, há uma ponte entre a arte, a fantasia e a construção de uma sociedade sólida e ancorada em valores éticos. Mas há mais. Ao meu ver, o autor tem também importante papel no que tange à realidade. Assim, um historiador deve ser fidedigno aos fatos e aos acontecimentos, sem deturpações ideológicas e/ou pessoais. Esse é um ponto em que nosso País está pecando, pois estamos, muitas vezes, deixando de cultuar a História Crítica – aquela que nos traz ensinamentos e direcionamentos para o futuro – em detrimento da defesa de doutrinas políticas, econômicas e sociais, muitas de cunho pessoal e pouco produtivas para o futuro de nossos filhos e gerações vindouras.

Caminhada literária
Para essa escalada da cultura e do crescimento social, acredito que é necessário escalonar, graduar o nível de leitura a que nos deleitamos. Desse modo, creio ser importante respeitar a faixa etária de cada um. Crianças devem ler histórias infantis, contos e poesias pueris; adolescentes têm que curtir literaturas juvenis e os adultos, ler de tudo que lhes desperte interesse. Julgo que não devemos atropelar as fases, a menos que isso aconteça naturalmente, por conta do leitor. Assim se deu minha caminhada literária. Primeiro, leitura gradativa (ressalto “Memórias da Emília” e “Fábulas”, ambas de Monteiro Lobato), depois, leituras mais elaboradas ( “O Pequeno Príncipe”, “Aventuras de Tom Sawyer”, “Fernão Capelo Gaivota”, muitas obras de Machado de Assis, Clarice Lispector, José de Alencar, Aluísio Azevedo, Lima Barreto, Agatha Christie, Richard Bach e muitos outros; atualmente, tenho dedicado-me às leituras de gestão espiritualizada de pessoas) e, por fim, o gosto por escrever.

A CBJE
Nesse particular – o gosto pela arte de escrever – destaco o papel importantíssimo desempenhado pela CBJE. Na verdade, eu já reunia alguns escritos (poesias e contos), mas não tinha condições de editá-los, devido aos custos elevados para tal. Participando de concursos lietrários, passei a conhecer muitas pessoas e, por intermédio delas, cheguei à CBJE. De início, uma desconfiança: jovens escritores... ora, eu já tinha mais de 30 anos... como essa entidade me ajudaria? Seria eu considerado jovem por ela?
Pois bem, a CBJE me ajudou a esclarecer a mente para o fato de que todos somos jovens escritores, pois não há idade para desenvolver o dom da literatura. Encontrei na CBJE todas as ferramentas de que necessitava para a publicação de minha primeira obra – Gotas de Minh’Alma – com acabamento refinado, esmero editorial, pequena tiragem, compatível com a situação financeira da época e com enorme aceitação pelo público, haja vista que caminha para novas edições, com tiragens ainda maiores, já encomendadas. E posso assegurar que o nível de confiança é tanto, que novos livros virão, com certeza, pois a CBJE está me ajudando a crescer como ser humano e como autor.

Aos jovens autores
Por fim, àqueles novos autores que estão iniciando – os jovens autores – sugiro ler muito, todos os dias, bem como permitir que sua veia literária aflore. Acreditem em seu potencial. Todos somos capazes. Participem de concursos, sem medo. Produzam seus textos e recorram ao auxílio da CBJE. Todos terão êxito e serão muito felizes. É o meu desejo.
Como frase de encerramento, vou-me permitir adaptar o final da estrofe 153 do Canto Décimo da obra “Os Lusíadas”, de Luís de Camões:
[...]
[A verdadeira literatura, expressão da alma,]
“Não se aprende, Senhor, [somente] na fantasia,
Sonhando, imaginando ou estudando,
[mas principalmente] vendo, tratando e pelejando.”


Contato:andreicl@terra.com.br



Andrei lançou, em 2008, pela CBJE, o seu livro
Gotas de minh’alma