|
|
| Entrevistas exclusivas com autores renomados, publicados nas antologias da CBJE nesses 21 anos de existência. Conheça suas histórias, suas obras e veja seus depoimentos. |
Quem souMeu nome é Ryan Carlos Schaefer Mainardi Passaes. Eu nasci em Sobradinho/RS, mas já morei em Santa Cruz do Sul/RS, Linhares/ES, Porto Alegre/RS e, atualmente, resido em Lajeado/RS. Estou cursando o 4º semestre de Jornalismo na Univates, aqui em Lajeado. Minha literatura retrata a minha vida. A literatura apareceu em minha vida em um momento de profunda crise existencial. No início, era apenas fuga da realidade, mas aos poucos foi tornando-se a minha realidade, e mais tarde, quando eu me acalmava e começava a tomar consciência de mim mesmo, foi tornando-se o meu motivo de viver, de sofrer de ser eu. A literatura é arte. Mas a arte imita a vida. Eu escrevo porque preciso. É uma necessidade visceral, tanto (e muitas vezes até mais) quanto comer, dormir e fazer sexo. A minha literatura retrata a minha vida. A minha necessidade de expressar-me. As pessoas sempre têm uma preocupação muito grande em saber se o que está escrito aconteceu realmente, se foi um fato. Isto não importa. Toda literatura tem seus aspectos hiperbólicos. O importante é a sensação que o texto causa, os sentimentos que ele transmite. Os fatos são apenas uns caminhos para levar ao coração do texto. Cada autor tem sua motivação para escrever. Eu escrevo simplesmente porque eu preciso vomitar tudo isso. Poe, Caio... Quanto a autores, minha suposta carreira literária começou sobre a influência do maior gênio da estética simbolista de todos os tempos: Edgar Allan Poe. O conto poeano foi a minha porta de entrada na literatura. Tudo aquilo era por demais fascinante, e eu não conseguia parar de ler. Ao descobrir Poe, li cinco livros dele, um atrás do outro, e só não li mais porque não encontrei na ocasião. Depois de Poe, veio a grande influência literária da minha vida, até hoje e, desconfio, para sempre: Caio Fernando Abreu. Um colega de faculdade despretensiosamente apresentou-me à obra de Caio enquanto eu tentava convencer-lhe que Poe era literariamente insuperável. Tudo bem, talvez eu estivesse errado. Hoje eu creio, como um fiel miserável e explorado crê em pastores milionários, que Caio Fernando Abreu é insuperável. Há muito tempo toda a minha obra é influenciada, tanto na temática quanto na estética, por este gênio literário. A vasta obra de Caio Fernando Abreu faz parte da minha vida tanto quanto a minha própria obra. Além de Poe e de Caio, há outros grandes mestres que também não posso deixar de citar. Entre eles Friedrich Nietzsche, provavelmente o pensador mais mal interpretado de todos os tempos. Este personagem singular, que eu creio ser a pessoa mais inteligente que já pisou na face deste nosso planetinha medíocre, trouxe luz e sabedoria a minha humilde existência, e elevou em muito a minha capacidade de pensar e compreender certas coisas, que antes estavam completamente fora do meu alcance. Deparei-me também, quase num susto, com toda a genialidade de Clarice Lispector, que me fez sofrer e chorar de uma forma antes inimaginável. Clarice me mostrou o quanto é possível adentrar dentro de si mesmo, e que de dentro do mais escuro, pode-se tirar rosas brancas. Clarice é única. Quem nunca leu Clarice, não sabe o que é sentir literatura. Para finalizar a “pequena” parte “Autores que me fazem sentir”, trago as minhas mais recentes, e não menos importantes descobertas. O primeiro deles é um certo senhor, chamado Charles Bukowski. Impressionante. É o único adjetivo que me vem à cabeça quando tento definir a indefinível obra de Bukowski. O velho Buk, com seu texto vomitado (com vômito de cerveja) me mostrou o quão visceral e crua pode ser a literatura. É realmente um autor que vale a pena se lido. Para quem tem estômago forte. Recentemente também me deparei com a obra de Franz Kafka. Seus delírios existencialistas, para quem tem olhos para ver o que se esconde neles, são absurdamente perfeitos. Não há como descrever a obra de Kafka, até porque muitos dos que a lêem, até hoje, não a compreendem. Eu digo que vale a pena ser lido, e torço para que a compreendam. Por último, um livro singular de um tal J.D. Salinger, “O Apanhador no Campo de Centeio”. O clássico livro dos psicopatas, que apresenta uma narrativa única e perturbadora. Creio que é uma obra básica para qualquer escritor contemporâneo. E dos contemporâneos, ou na verdade, das contemporâneas, não posso deixar de citar as duas, a meu ver, melhores: Fernanda Young e Clarah Averbuck. Fernanda com suas narrativas fantásticas do cotidiano, que às vezes misturam doses de alta cultura, momentos nonsense e angústias profundas. E Clarah, com seu texto cru e visceral, vomitado, que literalmente “não está nem aí”. A CBJE Certo dia, passeando, meio perdido, por sites na internet, encontrei assim, meio sem querer, por acaso, o site da Câmara Brasileira. Eu, como autor-sem-dinheiro-ou-influência-para-publicar-livros, acho que a iniciativa da CBJE é muito válida. Para mim, assim como deve ser para muitos outros, a possibilidade de ter as minhas obras publicadas foi um grande incentivo para continuar escrevendo, e buscar me aperfeiçoar, tendo mais condições de alcançar um futuro na literatura. O que dizer aos jovens Bem, há centenas de conselhos que se dá a jovens autores, mas como eu ainda me sinto um jovem autor, creio que só há um conselho válido que eu posso dar: todo escritor, seja jovem ou não, tem a obrigação para consigo mesmo e para com a sua obra, de ler a “Carta ao Zézim”, de Caio Fernando Abreu. “Carta ao Zézim” é a grande poética da literatura contemporânea, e leitura obrigatória a qualquer um que tem a pretensão de se auto-intitular escritor. ... |