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Manoel Neto de Sousa
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Salitre / CE

Soneto de identidade




Se não posso sustentar-me das oferendas
que aos poucos a vida traz como quermesse
é porque passei-me a sustentar de lendas
e o que parece ser real não me aquece.

Pois gosto daquilo que não há nas vendas
e o que só quem tem alma não desconhece;
construo-me bem devagar, de emendas,
que, mesmo a custo, é o que enriquece.

Não gosto dos amores que vêm de mão beijada,
mas dos que muitas vezes não se tem.
Eu próprio tenho tudo e não tenho nada.

Peço uma flor em casamento, exponho-me à prova,
nada de gozo que de gozo após me deixa sem...
A vida, eu a quero para tingi-la de uma tinta nova.

 
Publicado na Edição 2010 da Antologia "Plenitude - Versos de Encantamento" - Julho / 2010