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David Edson de Camargo Junior
Antologia on line

Votorantim / SP

Hora profusa do ser




Sinto etérea a noite que cai,
Abstendo-me do porquanto da vida –
Matéria abstrata no descanso da lida
Quando, por vezes, minh’alma abstrai.

Descanso afagado de melhor hora -
Sonhos recompondo-me em devaneios
Sob os brilhos inconscientes e alheios
Das estrelas adiantadas da aurora.

Virgem! cobiçado infinito não tido,
Sublime mistério eterno e embalsamado,
Mostrando-se a mim num todo figurado
Dos delírios reais de que, desperto, duvido.

Eis o borbulho do silente canto,
Mantra de quem vive a fantasia
Perfulgente, ora nula enquanto dia,
Ofuscada no rosto de gente em pranto.

Transborda na noite todo o meu ser,
Andarilho humano que no dia ladrilha
O plano sozinho de sua solitária ilha,
Reavivado nos púlpitos do anoitecer.

 
Publicado na Edição 2010 da Antologia "Plenitude - Versos de Encantamento" - Julho / 2010