| Porto
Alegre / RS
Minha
mãe
Quando eu era pequenino,
minha mãe cantava a vida
e para mim recitava
poemas tão companheiros
que de mim não desgrudaram.
Lembro dela tão alegre,
sentada na minha cama
e eu com a cara entre as mãos,
de barriga para baixo,
ficava ávido e atento
com os olhos mui espertos
a vibrar de tal maneira
que pareciam querer
escapar de suas órbitas
para brincar com o olhar
mais terno que já senti.
Hoje eu estou poeta,
caminhante em terra firme.
Minha mãe fez-se Poesia
de incomum encantamento
a fulgir no firmamento,
que brinca com as estrelas
e faz a lua sorrir.
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