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Se os tubarões e seus critérios de eficácia para o lançamento de safras de livros ainda vêem os novos autores com restrição, essas vozes tendem a ser abafadas, principalmente quando se trata de escritores iniciantes que têm de enfrentar uma verdadeira "via crucis" pelas editoras que, invariavelmente, resultam em espera inglória, frustração e mais um trabalho engavetado. E para onde iria a nossa literatura? Sem oportunidade para publicar seus escritos num livro, seria a morte súbita da nossa cultura. Com esse pensamento, o escritor baiano Elenilson Nascimento organizou e selecionou de forma independente um grupo de 27 autores para o lançamento da antologia "Contos Perversos", o primeiro volume da "Coleção Literatura Clandestina". Com o prefácio assinado pela teatróloga Aninha Franco, o livro traz a "nata" da literatura independente do país. Nomes como Andréa C. Migliacci, Carlos Correia Santos, Ana Lúcia Merege, André Ferrer, Edimárcio William, Sandro Côdax, Anna Carvalho e outros que, nos intervalos da narração, aproveitam para discutir, também, a estética literária, os conflitos numa atmosfera de desolação que impera na nossa sociedade, isto é, o livro impresso enquanto obra do espírito. Distraidamente, sem nos aborrecer, ao contrário, os "Contos Perversos" nos leva a pensar sobre o destino das ficções, e dos próprios livros, em um mundo que se pauta pelo superficial e pelo falso.
(Elenilson Nascimento)
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